Carta de desligamento do PCR/Correnteza e de entrada no PSTU


Através desta carta busco esclarecer meu rompimento com o PCR/Correnteza, organização que ainda nutro um profundo respeito por, inicialmente, ter me apresentado outra concepção de mundo, o socialismo, e a possibilidade de construir uma sociedade verdadeiramente humana. E também por acreditar na honestidade e firmeza de militantes que militei lado a lado. Porém a minha discordância programática e teórica crescente a cada dia não permitiu a minha permanência nas suas fileiras.

Apesar de participar do PCR, nunca deixei de procurar material de formação e ler as análises de conjuntura realizadas por outras forças políticas, por isso, sempre visitei o site do PSTU, PSOL, PCB, etc, procurando materiais teóricos e notícias relacionadas ao desenvolvimento da luta de classes.

Especificamente, o contato com as fontes de informação do PSTU influenciaram as minhas análises e, muitas vezes, os meus posicionamentos dentro do Movimento Estudantil. Um dos exemplos foi em 2011, quando, mesmo sendo da UJR/Correnteza, resolvi apoiar, nas eleições a Reitor, a professora Valéria Correia, por concordar que naquele momento era a única candidatura que de fato expressava a luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Este fato evidenciou as minhas discordâncias com alguns direcionamentos do PCR/Correnteza, mesmo assim decidi continuar no grupo por acreditar que a Correnteza ainda seria o único movimento capaz de construir as pautas do M.E.

Porém minhas discordâncias só aumentavam ao tomar contato com o processo de reorganização do movimento estudantil por fora da UNE. Ainda na Correnteza/PCR, já nutria admiração pela ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre), por perceber que, ao contrário da  UNE já aparelhada ao Governo Federal, a nível nacional a entidade conseguia organizar e  mobilizar os estudantes pelas pautas da Educação Pública. Fato que ficou ainda mais claro, após o papel protagonista da ANEL na greve das federais com o importantíssimo no chamado a construção de um Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE), enquanto que a UNE passou por cima dos grevistas e sentou pra negociar com o governo a revelia do movimento. O que era dúvida se tornou certeza: a UNE não serve mais aos estudantes. Portanto é extremamente válida a experiência da construção da ANEL nos últimos 3 anos.

Nesta época, também já discordava da forma que o PCR optava por disputar as eleições, usando legendas de partidos burgueses como o PDT, e até mesmo o próprio PT, que hoje é o principal administrador do estado capitalista brasileiro. Assim como também não concordava com os apoios, em alguns estados, a candidaturas que abertamente se coligavam com as oligarquias locais, como o Haddad/Maluf em São Paulo. O apoio a Dilma já no primeiro turno em 2010 deixa claro que não são políticas pontuais e sim uma prática corrente do PCR. Mesmo com estas discordâncias, acreditava que as defesas do PCR poderiam estar corretas, tendo como pressuposto correto o Etapismo e a Teoria dos Campos, de Stalin, onde os revolucionários deveriam fechar alianças com a burguesia “progressista” e a confiança inquebrantável que a partir das contradições destes governos tudo se resolveria “dialeticamente”.

Este ano, devido o tamanho das minhas dúvidas, me afastei do PCR e resolvi amadurecer meus desacordos e aprofundar meus estudos no marxismo, a concepção de partido revolucionário, as táticas e estratégiaso que me fez esbarrar nas limitações prática e teórica do stalinismo, corrente de pensamento que o PCR se filia. Não era por acaso que ao passo que aprofundava meus estudos, minhas divergências aumentavam, seja não há como concordar com análise de que a revolução popular na Líbia foi um golpe do imperialismo contra Kadhafi, já que ele era o principal agente pró-imperialista do país. Assim como não é possível diante dos últimos acontecimentos em Cuba, ainda defender que há socialismo lá. Foi nesse momento que ficou claro que minhas divergências eram muito além de questões táticas, e sim programáticas e estrátégicas.

No mesmo momento que tive certeza que não era o PCR a melhor alternativa, foi me aproximando cada vez mais das análises do PSTU e sobre os acontecimentos do mundo e do Brasil, principalmente da caracterização do papel nefasto do governo Dilma. A ilusão que este governo de frente popular causa nos trabalhadores, levando inclusive a setores da esquerda a capitularem a este governo, através de críticas parciais e apoios envergonhados, postura que muitas vezes identifiquei na atuação do PCR.

Por isso decidi me aproximar do mesmo durante a candidatura do Wibsson. Durante este tempo conheci um pouco das idéias, do trabalho de base desenvolvido com os trabalhadores e a juventude antes e durante a campanha. Então, resolvi dialogar com o PSTU para tentar esclarecer as minhas dúvidas e analisar a minha possível entrada no Partido. Foram muitas conversas que foram me esclarecendo o que realmente é o bolchevismo e o leninismo, as diferenças entre centralismo democrático que o PSTU e o centralismo burocrático praticado pelo Stalinismo. E acima de tudo a importância da moral revolucionária e do tema do combate às opressões. Sobre o combate às opressões tive uma primeira experiência positiva com a prática dos militantes PSTU em uma plenária da ANEL que organizou uma delegação ao ENUDS. E ao longo dos espaços políticos em conjunto, fui surpreendida com a seriedade e prioridade que essa pauta é levada sem abandonar o classismo necessário.

Os debates que fizemos sobre a concepção de partido de acordo com as idéias de Lenin, Trotsky e Nahuel Moreno, fundador da corrente internacional LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional), foram um “divisor de águas”, pois me deram a certeza de que o PSTU, hoje, é a melhor alternativa para defender os interesses dos trabalhadores e da juventude, e que ao longo dos últimos anos tem demonstrado ter a estratégia correta para a revolução brasileira e para libertação da nossa classe. Por estes motivos resolvi me desligar do PCR, e da Correnteza, para militar no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU.


Gabriela Palmeira – Comunicação Social - UFAL

3 comentários:

  1. Muito bom construir um partido coerente como o PSTU. E é sempre revigorante ler depoimentos como esses. Vamos à luta camaradas!

    ResponderExcluir
  2. Ler relatos como esse é o que nos dá, mais ainda, a certeza de que estamos no caminho certo. Criar a consciência de classes, pois quando esta surgir, será a revolução do proletariado.

    ResponderExcluir
  3. Parece que você precisa entender um pouco mais sobre stalinismo. Trocou o stalinismo mais tradicional do PCR pelo do PSTU, que não me engana. Apesar de reinvindicar o legado de Trotsky me parece que na sua prática reproduz o stalinismo, revisionismo(morenismo) e burocratismo.

    ResponderExcluir