PSTU REPUDIA SALÁRIOS EXORBITANTES DA CÂMARA DE VEREADORES DE MACEIÓ

A história se repete. Passadas as eleições, os políticos burgueses largam suas máscaras e, de caras lisas, dão início ao carnaval. Está claro que o aumento de salário dos vereadores em quase todas as capitais e outras tantas cidades brasileiras tem período certo pra acontecer: muito antes ou depois das eleições, quando o desgaste político não é mais uma ameaça para a manutenção no poder.

Quando os interesses dos trabalhadores e do povo pobre deixam de influenciar os parlamentos, o termo “casa do povo” perde o seu sentido. E que ninguém se engane: é isso que tem acontecido nesse sistema sócio, político e econômico a que estamos submetidos atualmente. A opinião pública não tem sido suficiente para barrar os salários exorbitantes dos parlamentares municipais, tampouco suas mordomias: auxílio moradia, auxílio enxoval, combustível, passagens aéreas, telefone, funcionários comissionados em demasia, e por aí vai.


Salários exorbitantes são imorais e lesivos ao povo de Maceió

No início de 2012, com um aumento de 21% em seus contracheques, os vereadores de Maceió figuraram como os segundos legisladores municipais mais bem pagos do Brasil. Como se não bastasse no final de 2012 foi aprovado no mesmo parlamento o 3º maior aumento salarial do país, de 67%. Trocando em miúdos, no período de um ano o salário dos vereadores de Maceió subiu de R$ 9 mil para mais de R$ 15 mil.

A informação foi confirmada através de uma publicação no Diário Oficial do Município do último dia 15 de março pela mesa diretora da Casa de Mário Guimarães. A nova gestão ficou devendo, no entanto, as informações acerca dos privilégios dos vereadores. O que se sabe é que até o fim da gestão passada os benefícios eram: R$ 9 mil para verba de gabinete, 10 cargos com salários pagos pela Câmara, aluguel de uma sala de até R$ 1.100,00, mil litros de combustível e a locação de dois carros.
Na cidade que apresenta os piores índices sociais do país, onde metade da população vive abaixo da linha de pobreza e que acumula recordes de violência devido à falta de políticas públicas voltadas para a educação de jovens e crianças, toda essa exorbitância salarial dos vereadores constitui uma imoralidade. Ou mais que isso, um crime.

Disparidade salarial entre os servidores
A lista publicada no Diário Oficial aponta ainda nove servidores jurídicos que chegam a ganhar mais de R$ 24 mil, cinco servidores que recebem R$ 20 mil e técnicos administrativos que ganham R$ 18 mil. Considerando que o menor salário registrado foi de R$ 1.300,00, a disparidade salarial dentro da Câmara Municipal de Maceió supera R$ 23 mil. A transparência da mesa diretora da Casa de Mário Guimarães, no entanto, ainda está meio fosca: no que se refere aos cargos de confiança, nenhuma informação foi publicada.

PSTU-AL repudia altos salários
Ao exemplo do que vem acontecendo em todo país, sobretudo nas cidades de Belém (PA) e Natal (RN), através do mandato dos vereadores Cléber Rabelo, operário da construção civil, e da professora Amanda Gurgel, o PSTU Alagoas repudia os “altos salários” e os privilégios dos vereadores da cidade de Maceió.

Sobretudo por considerar que nenhum trabalhador brasileiro teve em 2012 um aumento salarial de 67%, tampouco direito a privilégios. Muito pelo contrário, os poucos direitos conquistados pelos trabalhadores brasileiros vêm sofrendo uma série de ameaças, a exemplo do Acordo Coletivo Especial que prevê flexibilizações de direitos trabalhistas.

Na contramão desses valores abusivos à sociedade, o PSTU defende que os vereadores recebam o equivalente a um operário médio especializado, isto é, algo em torno de oito salários mínimos. Basta a essa lesão ao povo de Maceió, que está pagando a conta desses salários, em detrimento a suas próprias necessidades como saúde, educação e tantas políticas públicas voltadas aos trabalhadores e a população mais pobre.

Paulo Roberto “Bob”
Presidente Estadual do PSTU/AL

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