Saúde em Alagoas

O Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS) é um direito conquistado pela mobilização dos trabalhadores no período da redemocratização do país. É um dos melhores do mundo, mas nunca foi efetivado plenamente pela falta de vontade política do Estado, que não investe o suficiente para o bom funcionamento dos serviços, mas em contrapartida se alia a hospitais privados, deixando a população refém de planos de saúde, quando poderia usufruir de um direito que é seu. Dos 431 mil leitos contabilizados em 2009, 279 mil (65%) estão na rede hospitalar privada e 152 mil (35%) na rede pública (IBGE). Você sabe bem desta realidade!
 
Ano após ano, os governos atacam o direito à saúde dos trabalhadores. Atualmente, as tentativas de ganhar dinheiro às custas da doença da população são muitas. De parte do governo federal temos os maiores ataques privatistas, principalmente do PT: Fernando Henrique com as Organizações Sociais e OSCIP's;  Lula com as Fundações Estatais de Direito Privado, Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), e Dilma com a privatização dos Hospitais Universitários, da Política de Drogas através do Plano Crack e do SUS como um todo pela mais nova medida de Subsídios aos Planos de Saúde. Enquanto isso, dão quase metade do orçamento para a dívida interna e externa. O resultado é que o Brasil no quesito investimento em saúde ostenta índices piores que os africanos (OMS).
Por parte do governo estadual PSDB, temos enfrentado greve dos servidores por melhores condições de trabalho e salário, como a recente greve dos médicos. No ano de 2011 e 2012, vimos as péssimas condições de funcionamento do Instituo Médico Legal, do salário dos anestesistas e do laboratório farmacêutico do estado, o LIFAL. O governo também patrocina as entidades privadas no tratamento da dependência química através da Secretaria da Paz e repassa 63% da verba da Saúde (FSSo) para os 8 hospitais filantrópicos (não pagam impostos) existentes em Maceió, Arapiraca, Palmeira, Penedo e São Miguel dos Campos; além do projeto engavetado de Organização Social para o estado, implantado em Santana do Ipanema. Em Alagoas, 94% das pessoas são usuárias exclusivas do SUS.
No âmbito municipal, apenas 26% de Maceió tem cobertura do PSF. A falta da rede de Atenção Básica superlota os poucos hospitais e a ausência de saneamento básico faz brotar das periferias doenças crônicas. Para se ter uma ideia o município dispõe apenas de 10 dos 3.068 leitos para internação existentes no estado, por isso necessita alugar a maioria. Os valores investidos mudam de um ano para outro a exemplo de 2009, onde foram gastos 123 milhões de reais em “Atenção Básica”, sendo este valor diminuído para 24 milhões no ano de 2010 - um corte de 80% das verbas das ações.
Neste cenário a mulher sofre mais do que os homens, pois apresenta mais doenças, além de ser a responsável de levar os filhos, marido e idosos da família ao serviço de saúde quando necessário. Portanto, são as mulheres a maioria nas filas intermináveis dos postos de saúde, que passam noites em pé ao lado de seus familiares em hospitais sucateados e os maiores constrangimentos para acessar direitos básicos negados à população pobre de Alagoas.
Nós do PSTU, acreditamos que só é possível uma saúde de qualidade, com serviços e profissionais que atendam as necessidades da população. Quando este serviços deixar de servir aos interesses dos ricos e  grandes empresários do ramo saúde.  Defendemos uma mudança na lógica usada hoje para saúde pública. Que o SUS cumpra sua finalidade, que os governos federal, estadual e municipal assumam seus deveres e parem de entregar a saúde pública aos interesses dos donos de hospitais e fabricantes de remédios.
Essa mudança, porém, só é possível por meio da organização e luta dos usuários e trabalhadores do SUS. E por isso, fazemos um chamado à sociedade alagoana, aos homens e mulheres que sofrem com a falta de atendimento médico, aos trabalhadores da saúde que também são vítima do descaso do estado a lutar por melhores condições de trabalho e por um SUS 100% público e que atenda as necessidades da população.
 
Defendemos:
-       Estatização progressiva de toda a rede de saúde!
-       Contra todo tipo de privatização: não à EBSERH e a OS em Santana!
-       6% do PIB para a Saúde, efetivação da EC 29 e contra a DRU!
-       Fim da concessão de Certificados de Filantropia para os hospitais!
-       Abertura dos leitos ociosos do HU!
-       Plano de Cargos e Carreiras e Concurso público!
-       Efetivação da Rede de Saúde Mental e fim da Secretaria da Paz!
 
Por Bárbara Torres Chaves - PSTU/AL
 
 
 

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