Professores das escolas privadas começam a se organizar!

Nota do PSTU- AL em apoio às paralisações dos estabelecimentos de ensino
Cícero Aldemir Machado Mano (Cícero Satuba)
 
Na segunda-feira (29) e na terça-feira (30), o Sindicato dos Professores do Estado de Alagoas (SINPRO-AL), juntamente a alguns professores, paralisou duas escolas da rede privada em Maceió: o Colégio Monteiro Lobato e o Colégio Galileu. Este último tendo a direção de Bárbara Heliodora, que é presidenta do sindicato patronal, o SINEPE (Sindicato das Escolas Privadas). Esta atitude ganhou divulgação e destaque nas redes sociais e em alguns noticiários. Recentemente, o Colégio de São José também foi fechado pelo sindicato da categoria, que promete dar continuidade às novas paralisações.
 
A ação é parte da Campanha Salarial 2013, que é levada a cabo pela categoria desde o dia 02 de março. Tal campanha reivindica reajuste salarial de 21,77%, além de respeito à Convenção Coletiva de Trabalho que é válida a cada dois anos. Não demorou muito e essa convenção, que foi aprovada em assembléia da categoria, foi tratada com enorme descaso pelo SINEPE. No dia 08 de março a direção do sindicato patronal apresentou uma proposta que, na prática, é um ataque mais intenso aos direitos trabalhistas docentes. Além disso, a proposta de aumento real foi ignorada durante as negociações entre ambas as entidades.
 
Salários hora-aula enormemente rebaixados, atraso nos salários e retirada de direitos trabalhistas básicos.
A grande maioria dos professores da rede privada já passou (e passa) por um dos problemas colocados acima. Ao contrário de ser um problema simples de “administração e gerência”, ele é fruto de um processo de precarização da educação, que vem sendo levado por diferentes governos. O crescimento do tipo de educação que visa apenas o lucro dos donos das escolas no Brasil vem na contramão da educação pública, que passa por um permanente sucateamento.
 
O que vemos são sistemas de ensino voltados à reprodução da ideia de mercado, onde os professores são meras “peças” de trabalho. Não vemos uma educação que valorize seus profissionais e produza conhecimento aos filhos da classe trabalhadora. Um exemplo recente é a fusão entre a Kroton (MG), ligada a Rede Pitágoras de Ensino, e a Rede de Universidades Anhanguera (SP), com o único objetivo de criar um negócio mais lucrativo para o “mercado da educação”.
 
Os salários rebaixados também são parte dessa situação. Em Alagoas existem colégios que pagam entre R$ 5,00 e R$ 7,00 horas-aula, muito abaixo do atual piso nacional (mais de R$ 10,00). Além do atraso de salários, ainda presentes em alguns colégios. Em casos extremos, alguns docentes chegam a ficar de três a quatro meses sem receber (no caso de escolas de “pequeno porte”). O perigo da demissão e falta de estabilidade ainda permanece.
 
O enorme abismo entre a educação pública precarizada e o aumento das taxas de mensalidades das escolas particulares, que segundo algumas pesquisas chega a 50%, recai diretamente sobre as condições de trabalho e salários desses professores.
 
A política do governo do PSDB nos anos de FHC (1995 – 2002) deu uma guinada neste processo de precarização do ensino que vemos hoje em dia. O atual governo do estado, Téo Vilela (PSDB), segue a mesma lógica. Infelizmente, o governo da presidenta Dilma Rousseff, assim como o de Lula, deu continuidade aos planos privatistas do Banco Mundial e do FMI para a educação; como a criação de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e o PROUNI, que isenta de impostos os donos de estabelecimentos de ensino superior.
 
Precisamos de um governo controlado pelos trabalhadores e, portanto, voltado para os seus interesses, e não para os interesses dos patrões.  
 
Uma polêmica com a direção do SINPRO- AL
 
Apesar de apoiarmos a política de paralisação das escolas tocada pelo SINPRO-AL, não podemos deixar de mencionar nossas discordâncias com a atual gestão deste sindicato, filiado à CUT/CONTEE. Este sindicato não levou adiante a mobilização de toda a categoria, através das assembléias e da discussão com a base desses trabalhadores (a última assembleia que ocorreu foi a que deliberou a proposta de reajuste, no dia 02 de março).
 
Entendemos que as assembleias são um instrumento importante de avaliação e discussão com a categoria sobre os rumos das paralisações e greves que a classe trabalhadora faz em enfrentamento com seus patrões.
 
Por isso, dar continuidade às paralisações de colégios e a mobilização dos professores, em resposta à desvalorização da carreira dos trabalhadores em estabelecimentos de ensino, é extremamente necessário, para além da via de negociação com os donos de escolas.
 
Todo apoio às paralisações dos colégios da rede privada em Alagoas!
 
Que se cumpra o reajuste de 21,77%!
 
Que a atual gestão do SINPRO-AL convoque assembléias e discuta com a categoria os rumos da campanha salarial!

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