Considerações sobre a campanha salarial 2013/15 dos professores das escolas privadas: uma avaliação necessária

Cicero Satuba e Francisco Alberto, do PSTU/AL
 
A campanha salarial dos professores de estabelecimentos de ensino privado de Alagoas se iniciou em março de 2013, com uma das maiores assembleias da categoria. Na ocasião foi aprovada a proposta de 21,77% a ser entregue ao sindicato patronal, o SINEPE (Sindicato dos Estabelecimentos Privados), que desde então vem recusando abertamente o reajuste.
 
O SINEPE é composto pelos diretores e proprietários das escolas privadas que detém as maiores mensalidades escolares, ou seja, não tem interesse nenhum em construir um projeto de educação que vise a produção de conhecimento; e sim, produzir lucro cada vez maior de seus bolsos. De fato ele mostra a que veio.
 
O aumento crescente das taxas de mensalidades dos estabelecimentos de ensino já chega a 50%. Enquanto isso, os trabalhadores da categoria não obtiveram aumento real de salários, apenas a reposição via o INPC. A proposta do sindicato patronal para a categoria é um ataque mais intenso aos direitos trabalhistas dos professores, que já são poucos. A falta de estabilidade e o perigo da demissão ainda permanecem como prova real dessa rotina.
 
A direção do SINPRO-AL e a campanha 2013/15
 
Com a recusa da patronal, a atual gestão do SINPRO-AL deu início a uma série de paralisações de colégios, que representavam de alguma forma o sindicato patronal. Um exemplo disso foi o Colégio Galileu, ligado à atual presidenta do SINEPE, onde a mesma utilizou do argumento de que estava sendo pressionada pelos colégios de orientação religiosa, que segundo ela, pressionavam para que não tivesse aumento salarial.
 
No entanto, aqui estabelecemos uma discussão necessária com a atual gestão do SINPRO-AL. Diante a campanha salarial, que se estende até o presente momento, não foi convocada uma assembleia, a não ser a que deu início à campanha salarial. Para nós do PSTU-AL, as assembléias, com toda a categoria, são importantes para que os trabalhadores possam fazer avaliações dos rumos do movimento e participar ativamente das mobilizações da categoria.
 
Não é isso que vem ocorrendo na prática. As assembleias anteriores à campanha salarial, quando ocorriam, além de não terem divulgação, não contavam com a presença de muitos dos diretores. Isso é fruto da burocratização pelo qual vem passando o sindicato, processo em comum e paralelo a adaptação e institucionalização de praticamente todos os sindicatos ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores).  Assim como as federações em que é associado, CUT-CONTEE, o SINPRO segue o mesmo rumo.
 
Para onde devemos rumar?
 
É urgente unificar esses trabalhadores para responder aos sucessivos ataques e retirada de direitos por parte dos empresários do “mercado da educação”. Isso passa pelo enfretamento com o SINEPE, cuja proposta vem no sentido de rebaixar o índice salarial, além de manter grande parte da estrutura precarizada, situação comum ao grande contingente de colégios da rede particular.
 
A campanha salarial, além de enfrentar as “grandes escolas”, tem também que estender a campanha para as demais escolas que mantém números absurdos de alunos por sala de aula, e onde professores ganham entre 5 e 7 reais hora aula.
 
A atual direção do SINPRO-AL deve retomar imediatamente as paralisações e a realização de assembleias com toda a categoria. Esses trabalhadores devem discutir os rumos das atividades, e não devemos depositar confiança em nenhuma“negociação” que vise substituir a ação direta da categoria.
 
Pela retomada imediata das paralisações! As negociações com o SINEPE não substituem as ações radicalizadas!
 
Nenhuma confiança no SINEPE! Que se cumpra o reajuste salarial!
 
Que a direção do SINPRO-AL convoque assembleias para avaliação da campanha salarial!

Um comentário:

  1. Onde estava o PSTU-AL quando nós professores tínhamos um Sindicato que só dizia Amém aos patrões?
    Um Sindicato que permitiu que ficássemos mais de 15 anos sem um reajuste decente?
    Agora que o Sindicato se mostra mais forte, ainda distante do ideal é certo, mas em um caminho de vitórias e conquistas, o PSTU aparece para criticar e oferecer-se como conselheiro?
    Desculpe mas transformar a luta dos trabalhadores em plataforma político-partidária não é a melhor alternativa.

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