“Domingo é dia de Rap” quebra barreiras na periferia de Maceió

Por Niara Aureliano

Realizado aos domingos, no coreto do bairro Osman Loureiro, zona oeste de Maceió, o evento “Domingo é dia de Rap” está mobilizando a juventude da capital alagoana contra a violência. Sem patrocínio ou apoio da prefeitura, fica a cargo dos próprios rappers, apoiados por organizações não governamentais e pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), fazerem com que o evento ocorra. O único pedido: “leve a sua base e cante seu rap”.

A intenção é levar, além de diversão e arte, informação crítica aos jovens da periferia. No primeiro domingo do mês, antes que comecem a “mandar as rimas”, um debate é organizado sobre os mais variados temas, mas é sobre a violência que assola as áreas mais pobres da cidade que a juventude da parte alta quer cantar e debater.

Segundo o “Gigante”, Felipe Ayres, da Cia Hip Hop, o mais importante é manter o contato com a periferia, a interação com os outros grupos de rap, independente do estilo. “Eu sou viciado em rima Freestyle. Eu faço gangsta.Tem os que fazem bling bling, tem os que fazem underground, tudo aqui junto”, afirmou Gigante, enquanto o Davi 2P, prodígio do rap alagoano, mandava suas rimas.

A dupla “Contenção MCs”, composta por John Clivani e Vander Melo, também organizadora do evento, comentou o apoio do PSTU ao “Domingo é dia de Rap” e à outras iniciativas junto à periferia. “O partido vem apoiando, trazendo o som, divulgando, chamando a galera, prestigiando. Você não vê mais ninguém aqui, junto com a periferia. Esse apoio ajuda muito pra que mandemos nosso som político, contra a violência, um som da periferia. Isso é importante porque temos que deixar claro que o inimigo é o burguês; o pobre não pode ir contra o pobre... Estamos tentando procurar a paz”, afirmou John Clivani. Os dois, que compõem suas rimas, falam que é o rap gangsta o qual tem ajudado a “abrir os olhos” dos meninos e meninas mais carentes. “O rap ainda é estigmatizado, a classe trabalhadora pouco apoia, os pais não querem que os filhos venham prestigiar... Mas é o rap que a gente tá mandando que pode tirar muita gente do caminho errado”, concluiu Vander.

Johny Brown, da “Direito Negado”, reafirma a importância do PSTU no apoio aos jovens das áreas mais carentes. “A gente luta do mesmo lado. A gente tem que lutar contra o sistema que nos oprime. A gente tá do mesmo lado. Meu partido é o rap, e nós fazemos parte da mesma torcida, que é a favela”, disse. Johny ainda comentou o apoio, ou a falta de apoio, do governo e da polícia. “Se a Força (Nacional) passar, eles param. Pode acontecer de eles pararem a galera aqui. A polícia não apoia, quer que desligue o som. Nenhum lado quer ver algo contra ele. A gente manda um som de paz, mas a gente também critica o governo e a polícia, e eles não querem... Mas o governo manda a polícia pra oprimir a favela. A gente tem que mandar um som, assim, em um lugar aberto”, completou.

Evento: Domingo é dia de Rap
Onde: Coreto do Osman Loureiro, zona oeste de Maceió
Quando: Aos domingos
Horário: 16h


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