O dia em que o Brasil parou

Dia 11 de julho de 2013 foi o Dia de Nacional de Greves, Paralisações e Manifestações de Rua‏. O chamado foi feito pelas principais centrais sindicais do país e marcou a entrada em cena da classe trabalhadora nos protestos que varrem o país desde junho. A jornada de mobilizações foi convocada pela CSP-Conlutas, Força Sindical, CUT, CTB, UGT, NCS, CGTB e CSB, e foi uma das maiores jornadas de lutas e greves que o Brasil já viu.

Em Alagoas, o 11 de Julho começou com o bloqueio de rodovias federais. A entrada do Porto de Maceió foi fechada. Atividades da Braskem foram paralisadas. Vias da capital foram interditadas. As manifestações culminaram em um ato unificado, organizado por centrais sindicais. Nesse ato, cerca de cinco mil trabalhadores e estudantes ocuparam as ruas do centro da cidade. Exigia-se a redução da tarifa e a melhoria do transporte público, maiores investimentos para saúde e educação públicas, o fim do fator previdenciário e dos leilões do petróleo e a reforma agrária, entre outras reivindicações.

Manifestações similares foram realizadas em todo o Brasil. Elas marcaram a adesão da classe trabalhadora aos protestos iniciados em junho. “Os atos iniciais tinham a cara da juventude. Com a entrada dos trabalhadores, nossas reivindicações ficam mais fortes, questionamos os empresários com mais força. Porque os trabalhadores detêm os meios de produção. A partir de sua participação, eles percebem isso”, afirmou Wibsson Ribeiro, da Anel.

ATO UNIFICADO

A concentração para o ato foi na Praça Centenário. Às 15h30, os manifestantes dirigiram-se para o Centro.  Participaram do protesto, CUT, Força Sindical, CTB, sindicatos e movimentos sociais. Um bloco de esquerda foi composto por PSTU, PCB, Espaço Socialista, Anel, CSP - Conlutas, sindicatos, organizações e movimentos estudantis, trabalhistas, rurais, feministas e LGBTs. Essa seção manifestou-se em oposição aos governos de Dilma, Teo Vilela e Rui Palmeira. Nem a chuva forte conseguiu abafar suas palavras de ordem. 

Laís Gois, do Movimento Mulheres em Luta (MML), explicou que “o PT não representa os trabalhadores. Dilma não atende as necessidades das mulheres. Foram prometidas seis mil creches, mais políticas públicas e delegacias, e isso não foi cumprido. Alagoas é o estado com mais mortes, e as ações do governo não mudaram esse quadro”.

O trajeto foi tranquilo, ritmado por instrumentos de percussão. A coluna de esquerda seguiu animada, conquistando o apoio popular com a suas palavras de ordem. Para encerrar o ato, os manifestantes retornaram à Praça Centenário, por volta das 19 horas. “O dia foi histórico e unificou as centrais sindicais, para fazer uma experiência nas ruas e saber quem é quem. Existem setores que querem direcionar os trabalhadores para uma falsa polêmica. Defendem a reforma política e o plebiscito, como se fossem resolver os problemas. Eles querem esconder a vontade dos trabalhadores de mudar. Temos que continuar nas ruas. Essa é a primeira luta de muitas”, assegurou Paulo Bob, do Sindipetro – AL/SE.

Lylia Rojas, da CSP - Conlutas, questionou a atuação da CUT: “Os trabalhadores saíram às ruas porque nossos problemas se resolvem na rua. A CUT é uma central histórica. Não pode levar ao senado projetos que vão fragilizar os trabalhadores. Tem que ficar ao lado dos trabalhadores e não dos governos. Tem que estar na rua e não sentada para negociar”.

BRASKEM
O Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro – AL/SE) organizou um protesto em frente à Braskem, às 6h do dia 11 de julho. Cerca de duzentos trabalhadores paralisaram suas atividades e interditaram os dois sentidos da Avenida Assis Chateaubriand, no Pontal da Barra. Reivindicou-se, entre outras pautas, o fim da terceirização e mais segurança no trabalho. 

PORTO
Centenas de trabalhadores avulsos e integrantes de movimentos sociais bloquearam a entrada do Porto de Maceió, no bairro de Jaraguá. O bloqueio remeteu ao protesto realizado no dia 08 de julho, em que os trabalhadores impediram a carga e a descarga de mercadorias. O ato foi motivado pelo atraso no pagamento de benefícios.

RODOVIAS
Na madrugada do dia 11 de julho, trabalhadores rurais e movimentos sociais bloquearam, integralmente, nove pontos das BRs 101, 104, 107, 316 e 423, em Alagoas.  Ocorreram interdições nas cidades de Flexeiras, no km 51 da BR 101; Joaquim Gomes, no km 37 da BR 101; Novo Lino, no km 14 da BR 101; Delmiro Gouveia, no km 107 da BR 423; Rio Largo, no km 91 da BR 104; Messias, no km 75 da BR 101; Murici, no km 58 da BR 104; Atalaia, no km 243 da BR 316; e Porto Real do Colégio, na BR 101, na divisa de Alagoas com Sergipe. As vias foram liberadas a partir das 13h30.

Para ver todas as fotos do dia 11 de julho é só entrar no link: http://migre.me/ft9w3

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