Quando morar é um privilégio, ocupar é um direito – todo apoio aos moradores que ocuparam o terreno na Santa Lúcia


“A gente já tem tão pouco, e eles (BOPE) passaram por cima de tudo”. Esta frase foi dita por Maria Ivone, do Movimento Via do Trabalho (MVT), uma das trabalhadoras que ocupou o terreno na Santa Lúcia, no começo de maio.

Na sexta-feira (26), o PSTU/AL realizou a mesa “Reforma Urbana e as Ocupações em Maceió”, que contou com a participação de Yuri Brandão, do partido, e de Maria Ivone e Brenda, do MVT e que estão ocupando um prédio do INSS, no Centro de Maceió; após serem expulsas de um terreno na Santa Lúcia. Foi uma mesa para expor o grave problema de moradia de Alagoas, e principalmente um espaço de solidariedade aos milhares de trabalhadores que passam por esta terrível situação.

O terreno ocupado, na Santa Lúcia, estava há 30 anos sem uso. Os 58 hectares de terra pertencem a uma construtora que deve muito dinheiro a prefeitura de Maceió. Os moradores fizeram um cadastro de cerca de 9 mil famílias e isto foi entregue a prefeitura. Porém nada foi feito pelos governos municipal (PSDB), estadual (PSDB) ou federal (PT); e no dia 18 de julho essas milhares de famílias foram expulsas do terreno pelo BOPE. De forma extremamente violenta, os que já não tinham onde morar, ficaram mais uma vez na rua.

Neste momento, esses trabalhadores ocupam um prédio do INSS, que está em péssimas condições. “Temos muitas pessoas doentes, e não temos comida suficiente para todos”, afirmou Maria Ivone.

Durante o espaço foi exibido o documentário “Somos todos Pinheirinho”, que conta a história da maior ocupação urbana da América Latina, o Pinheirinho, em São José dos Campos/SP. Os trabalhadores foram brutalmente expulsos do terreno que viviam há anos pela Polícia Militar. É importante destacar o papel do governo do estado de São Paulo (PSDB), que através de Geraldo Alckimin, mostrou o ódio ao trabalhadores. A área em questão “pertencia” ao megaespeculador Naji Nahas e estava sem uso.

“O que vimos neste vídeo é o que de fato estamos passando. A violência que estamos sofrendo, a violência com que fomos expulsos. A polícia nos trata de uma forma terrível, por isso penso que um mundo sem polícia seria um mundo muito melhor”, disse a jovem Brenda.

“Exigimos que o governo Dilma não deixe que se repita o massacre do Pinheirinho. Nos 10 anos do governo PT a concentração latifundiária aumentou e em Maceió, metade das famílias não tem moradia digna e este é um direito básico. Esta luta continua, não para. É preciso, mais do que nunca, a solidariedade dos partidos de esquerda, dos sindicatos e do movimento estudantil”, destacou Yuri Brandão, que dedicou a mesa a todas as mulheres negras do Brasil, que são as mais exploradas e oprimidas.

Ao som de “Santa Lúcia, pode lutar, que a gente vai te acompanhar”, a mesa terminou com forte clima de emoção!



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