A jornada de lutas continua

Laís Cavalcante e Luciane Araújo, da Juventude do PSTU

O processo político que hoje vive nossa geração é riquíssimo. Desde o Fora Collor a juventude brasileira não desencadeava um levante tão poderoso quanto este que estamos vivenciando. Alagoas, um estado marcado pelo conservadorismo, miserabilidade e injustiças sociais foi palco também de grandiosas manifestações e reproduziu, com suas particularidades, processos que se repetiram de variadas formas em todo o Brasil. A juventude do PSTU esteve presente desde o começo das manifestações, achamos que já é hora de um primeiro balanço sobre a luta até aqui e gostaríamos de apontar algumas bandeiras e perspectivas para o futuro.

As Jornadas de Junho em Maceió e o 11 de Julho

O detonador do processo de lutas em Maceió também foi a situação do transporte público e o caos envolvendo a mobilidade urbana. Os atos começaram pequenos, com cerca de 500 pessoas, e se desenvolveram até culminar em atos com mais de 30.000 pessoas. O efusivo apoio popular e a presença massiva da juventude, que ocupa postos de trabalhos informais e terceirizados, deu a tônica das mobilizações. A juventude trabalhadora de nosso estado colocou em cheque a TRANSPAL, e como primeira importante vitória conseguiu barrar o aumento das passagens.

Como continuidade do processo desencadeado em junho, tivemos em julho a construção do dia de paralisação nacional no dia 11. Construído em unidade com as centrais sindicais, nós da juventude do PSTU/AL, através de nossa intervenção na Anel e na CSP-Conlutas, participamos da paralisação da BRASKEM e, em unidade com os movimentos sociais do campo, da paralisação do Cais do Porto. A força desta mobilização foi impressionante. Há mais de 10 anos a Braskem, uma das principais fábricas da cidade, não era paralisada pela força dos trabalhadores, de grande maioria terceirizada. A unidade entre trabalhadores da cidade e do campo também paralisou o Porto de Maceió, incluindo uma maioria de trabalhadores terceirizados e funcionários da Transpetro (subsidiária da Petrobrás). Ao final, construímos no ato uma coluna de ativistas independentes dos governos, mostrando nossa indignação tanto com o governo estadual de Téo (PSDB), quanto com o próprio governo federal, de Dilma (PT). Nossa coluna, a mais animada e irreverente, atraiu diversos trabalhadores, dentre eles rodoviários, terceirizados, químicos, professores, funcionários públicos, servidores do judiciário, trabalhadores da saúde e muitos jovens.

Estivemos presentes nos dois momentos da mobilização. Fomos uma das poucas organizações que estiveram tanto na construção das jornadas de junho, majoritariamente de juventude, quanto na construção do 11 de julho operário. Achamos que a combinação da explosão da juventude com os métodos da classe trabalhadora será a força mais poderosa para catalisar estas mobilizações rumo a vitórias mais profundas.

A importância da Frente Pelo Passe Livre

Seria muito injusto falarmos de todas estas mobilizações sem falarmos do fórum que organizou os atos, promoveu sua divulgação, foi porta voz do movimento e construiu a unidade entre os mais diversos setores, previamente organizados ou não. A Frente pelo Passe Livre em Maceió foi o organismo capaz de aglutinar os ativistas e indignados da cidade para lutar contra o aumento e questionar o modelo de transporte implementado pela prefeitura de Rui Palmeira (PSDB).  Sua organização se deu de maneira muito semelhante aos novos organismos que surgiram nos diferentes estados do país, como o Bloco de lutas pelo transporte 100% público, de Porto Alegre, ou a Assembleia Popular Horizontal de Minas Gerais. Seu funcionamento se dá através de assembleias abertas, onde todos votam e respeitam as posições acatadas pela maioria.

Infelizmente, não foram poucas as organizações que agiram no intuito de deslegitimar esta Frente, das mais variadas formas. Nós, por outro lado, apostamos no seu desenvolvimento para organizar os lutadores de Maceió, e que rume para pautas além do próprio passe livre, como já está ocorrendo.

As lutas que seguem: A possibilidade real de conquista do Passe Livre em Maceió e a ocupação da Santa Lúcia!

A combinação explosiva de que falamos, entre juventude precarizada e classe trabalhadora organizada, deu um novo salto a partir da ação de ocupação da câmara de vereadores de Maceió no dia 1º de agosto. Desde que houve a ação de despejo da comunidade da Santa Lúcia, nós do PSTU estamos na batalha para que os moradores da comunidade recuperem seu terreno e divulgando para toda a população a triste situação que está acontecendo, de injustiça, violência e perversidade com as famílias trabalhadoras. Por isso propomos unificar esta luta com a luta do passe livre, e após duras e fraternas polêmicas dentro da Frente pelo Passe Livre para que alargássemos o caráter dessa frente, enfim, vimos na prática, a partir da ocupação da câmara de vereadores, a unidade entre a Frente e os trabalhadores da Santa Lúcia. A unidade da luta do transporte com a luta por moradia representou a concretização do necessário alargamento do caráter da Frente.

Neste momento está colocada a possibilidade de vitória nesses dois campos: os vereadores acenam com um projeto de passe livre, embora com limitações importantes, e os trabalhadores da Santa Lúcia se fortalecem e cresce também a possibilidade de vitória.

Começaram as Jornadas de Agosto! A luta pelo Passe Livre e em defesa dos moradores da Santa Lúcia caminha em direção à prefeitura de Rui Palmeira!

Em todo o país, o final de julho assistiu o desencadear de uma onda de ocupações de câmaras de vereadores. Assistimos agora a um novo momento desta luta, pois na prática as jornadas de agosto já começaram e colocaram novamente a juventude trabalhadora em luta. A câmara de Belém foi ocupada, assim como a de Campinas e outras cidades importantes. Está marcado para o dia 14 de agosto um grande ato convocado pela Anel, Movimento Passe Livre e diversas outras entidades clamando pelo Fora Alckmin. Seguindo o exemplo do Rio, que questiona o governador Sérgio Cabral na campanha #ForaCabral. As jornadas de agosto começaram com peso e é necessário nos colocarmos para os próximos embates que virão.

No que diz respeito ao passe livre, é preciso primeiro questionar a proposta do projeto de retirar da verba de educação o custeio para o passe livre estudantil. Por ora, a vereadora Heloísa Helena (PSOL) já apontou com diversos dados técnicos que existe verba suficiente a partir do estabelecido na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para garantir o passe livre. E todos nós concordamos que a educação não deve ser prejudicada, ao contrário, defendemos que deve ser investido ainda mais em educação pública!

Em segundo lugar, precisamos atentar que a proposta da câmara, se aprovada, joga para a mão da prefeitura a decisão final sobre se haverá o passe livre ou não na cidade de Maceió. A partir de agora o embate se dará não só com a câmara de vereadores de Maceió, mas também com a prefeitura de Rui Palmeira (PSDB). Veremos até que ponto o “cara é bom” e “é o novo e o povo” como dizia em sua campanha, ou se é na prática só mais um prefeito a serviço dos empresários do Transporte.


Nós da juventude do PSTU declaramos abertamente que não temos nenhuma confiança na suposta bondade do prefeito. Acreditamos que até aqui todas as vitórias foram frutos apenas das mobilizações populares, por isso fazemos um chamado a todos os ativistas para que continuemos na luta e radicalizemos nossas ações para que as jornadas de agosto nos tragam ainda mais vitórias! Reforçamos o chamado ao novo dia de paralisação nacional para o dia 30 de agosto e a defesa da unidade da classe trabalhadora com a juventude combativa!

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