Comentário sobre os Black Blocks

Por Klebson Porfirio, do PSTU/AL

Interessante é notar que boa parte dos colegas esquerdistas, ao tempo que defendem, aqui no Brasil, ações "exemplares" isoladas do movimento de massas (promovidas em sua grande maioria pelos Black Blocks (BB’s) ou por infiltrados nesse movimento), calam-se completamente a respeito das lutas que ocorrem no norte da África e no Oriente Médio.

O povo sírio, por exemplo, levanta-se em armas contra a ditadura Assad, e ao mesmo tempo contra uma possível intervenção imperialista. Quais campanhas e notas de apoio os sagrados defensores da revolução teórica lançaram? O que estão fazendo para dar suporte às organizações independentes do povo? Precisam de armas, medicamentos e, principalmente, SOLIDARIEDADE em sua luta. Estão numa Guerra Civil que se alastra pelo país, com dezenas de milhares de mortos e alguns milhões de exilados... O que faz boa parte da ultra-esquerda a respeito?

Minha opinião: a utra-esquerda está acomodada - e muito bem - ao regime democrático burguês. Se lançam na defesa de ações isoladas do movimento de massas por terem a irresponsável confiança de que não haverá consequências políticas às mobilizações, de que essas ações serão apoiadas pelas massas e servirão para dar-lhes mais avidez na luta (quanta inocência), afinal de contas, "manifestar-se é um direito". Desprezam o fato de que à burguesia pouco importa os direitos básicos desde que seus interesses continuem prevalecendo.

A brutal repressão policial, desencadeada desde o início das Jornadas de Junho, é apenas uma minúscula parcela do poder dos aparatos de violência da burguesia. Ou por acaso os companheiros da ultra-esquerda acham que em caso de séria ameaça à Ordem, a policia e, porventura, as Forças Armadas, usarão balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral? Estamos preparados para este tipo de combate nas ruas? Os trabalhadores estão conscientes e organizados suficientemente para tal levante contra a Ordem?

Para evitar as más línguas: em nenhum momento afirmamos que os responsáveis por desencadear a repressão policial são os BB’s ou outros grupos. Ao contrário, os defenderemos de forma intransigente da policia, da "justiça" e de quem quer os criminalize. Porém, isso não significa que concordamos com seus métodos e que iremos nos eximir de criticá-los duramente. Afirmo sem nenhum medo de errar: atiçar um cão raivoso sem ter armas para imobilizá-lo é tão nocivo quanto o imobilismo.

Precisamos fortalecer as organizações da classe trabalhadora, fomentar greves, realizar ocupações, ir aos bairros populares, disputar os sindicatos contra a burocracia etc. Em resumo, precisamos que as massas, aos milhões, como ocorre hoje na guerra civil Síria, no Egito e Tunísia, vãos às ruas e decidam conscientemente tomar os rumos da sociedade em suas mãos. Não há substitucionismo, não há ações heroicas que prescindam da classe trabalhadora.

Quando os trabalhadores e o povo pobre se levantarem em peso não precisaremos destruir fachadas de empresas e bancos (embora façamos caso necessário), não precisaremos cobrir os rostos, não usaremos somente paus, pedras e coquetéis molotov. Os crimes da burguesia e de seus capachos serão julgados pelas bocas de fuzis e canhões, em barricadas e trincheiras que o povo construirá de forma abnegada. Guardemos nosso ódio e os melhores combatentes da nossa classe para as batalhas decisivas que ainda virão.

"A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores" – Marx.

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