I Encontro do MML reúne mais de 2000 mulheres em Minas Gerais

No último final de semana (04 a 06/10), o Movimento Mulheres em Luta (MML) realizou o seu primeiro Encontro Nacional, em Minas Gerais. O evento reuniu mais de 2000 mulheres e se consagrou como o maior encontro feminista classista em 20 anos. O número de inscritas superou todas as expectativas, e por conta disto, a organização teve que desdobrar as mesas em duas. O MML é um movimento classista e feminista ligada à CSP-Conlutas.

A mesa de abertura foi composta por diversas entidades de esquerda, do movimento sindical e feminista. Estiveram presentes representantes da CSP-Conlutas, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, da Frente pela Legalização do Aborto, da Marcha das Vadias-BH, da Marcha Mundial de Mulheres, do MTST, do Movimento Luta Popular, da Rede Feminista, do PSOL, do PSTU e da LER-QI. Houve, ainda a presença de representações internacionais da Argentina, Estado Espanhol, Índia, Inglaterra, Alemanha e da Síria.

A dirigente do PSTU, Vanessa Portugal, destacou o caráter histórico do encontro. "Talvez as mulheres mais jovens que estão aqui não tenham a dimensão deste encontro, mas podemos afirmar que se trata do maior encontro classista de mulheres dos últimos 20 anos", disse, ressaltando que ele está sendo realizado justamente no momento em que a presidência está nas mãos da primeira presidente mulher do país, numa crítica à tese do "empoderamento". "Algumas certezas estão sendo destruídas, mas outros sonhos vão se construindo", afirmou, sendo muito aplaudida.

Após a abertura, as presentes assistiram a uma palestra da blogueira Lola, do blog “Escreva, Lola, escreva”!

No segundo dia do Encontro (sábado), o tema foi conjuntura. Em duas plenárias, as participantes debateram como as mobilizações de junho deixaram o Brasil em um novo cenário. Este novo momento deixa o país em sintonia com as lutas internacionais, como a Primavera Árabe. "Existe uma guerra civil na Síria e a maior tarefa dos trabalhadores é enfrentar o seu maior inimigo: a ditadura de Assad. Por isso nós, que estamos organizadas e em luta, não podemos ter dúvidas: devemos manifestar todo o apoio à revolução síria", afirmou Camila Lisboa, da CSP-Conlutas e do MML.

Ainda durante o sábado, aconteceram os Grupos de Trabalho; com temas extremamente importantes para a organização da luta das mulheres. Como: aborto, mulher e o sindicato, prostituição, violência, educação, e muitos outros.

O tema da violência abriu o último dia do Encontro. Para debater o tema estiveram presentes mulheres cuja luta é simbólica neste sentido: a indiana Soma Marik, que luta contra os estupros em seu país, e Elisabeth Gomes da Silva, moradora da Rocinha, que iniciou uma luta após o desaparecimento do marido, o pedreiro Amarildo.

"Nós todas temos uma luta muita dura pela frente e não haverá sucesso se não houver um corte de classe profundo nessa discussão. Vida longa movimento feminista e classista", destacou Soma.

Já Elisabeth, falou sobre a violência policial na periferia: "Não se calem, gritem quando atacarem seus filhos, seus maridos, sua família. Muitas pessoas ficam quietas e escondem os abusos que acontecem nas comunidades, nas UPP’s”, pediu emocionada.

Após a intervenção de Soma e Elisabeth, a plenária aprovou a campanha contra a violência a mulher, como campanha prioritária do MML.



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