Contra os partidos dos usineiros e a tragédia do PT, Frente de Esquerda em 2014

Paulo Bob
Paulo Falcão
Wibsson Ribeiro

As eleições que acontecerão em 2014 serão marcadas pelos debates em torno dos alarmantes indicadores sociais do estado de Alagoas e dos altos índices de homicídios que nos assolam.

Durante os últimos 04 anos da gestão do Governador Téo Vilela (PSDB) as taxas de homicídios quase que dobraram e fizeram com que a capital alagoana se tornasse a mais violenta do país e uma das mais violentas do mundo. A violência também chegou às cidades do interior do estado, Arapiraca, Pilar, Satuba, Marechal Deodoro, Rio Largo e São Miguel dos Campos estão na lista das cidades mais violenta do país. Esse “fenômeno” é resultado direto da política do governo dos usineiros.

08 anos de Governo Téo: não existe vida

O PSDB passou oito anos à frente do governo e o resumiu a trágica letra: austeridade fiscal para os gastos sociais e bondosos benefícios fiscais aos setores do açúcar (desonerações). É dentro dessa tônica que as taxas de violência aumentam e são acompanhadas pelo caos e pelo descaso que reinam na educação e na saúde.

Desde o primeiro ano de seu governo, 2007, Téo diminuiu a arrecadação do ICMS das usinas. Em dados concretos: em 2007, o ICMS recolhido foi de R$ 60,3 milhões e em 2010 de apenas R$ 44,6 milhões, ou seja, uma queda de 25%. Para um estado com os piores índices sociais do país, fazer com que os ricos sejam os beneficiários da riqueza e benesses do estado é consentir que a população mais pobre sofra com os péssimos serviços públicos.

E foi exatamente o que PSDB e seus aliados fizeram. A cada ano aumentaram as taxas de homicídios. Alagoas ficou na última posição do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, na sigla em inglês) em Leitura, Ciência e Matemática, e amarga as maiores taxas de analfabetismo do país. Na saúde falta o básico no atendimento aos doentes, além de não ter sido resolvido o histórico problema das superlotações, por falta de hospitais, maternidades e a péssima situação dos trabalhadores da saúde.

Ao mesmo tempo que mantem a rigidez com os gastos sociais, o governo se farta aumentando os gastos com banquetes luxuosos, além de aumentar o duodécimo da Assembleia Legislativa, que vive a rotina de escândalos e corrupção. Os indicadores sociais de Alagoas são comparáveis aos da África Subsaariana, e o PSDB está intrinsicamente ligado aos usineiros, que são os responsáveis diretos por essa miséria alagoana.

Em 2014, o PSDB pretenderá manter um dos seus aliados diretos no poder, seja apoiando os nada socialistas do PSB, o vice-governador Nonô (DEM) ou até mesmo o folclórico Benedito de Lira (PP). Dentro dessa tríade podemos esperar apenas mais miséria e desgraça para os trabalhadores e povo pobre.

O PT e sua opção com Renan, Ronaldo Lessa, João Lyra e Collor

O PSDB foi eleito com apoio de Renan Calheiros (PMDB) e Ronaldo Lessa (PDT). Naquela época, Téo era visto como um “usineiro do bem”, contra o “usineiro do mal” (João Lyra), agora as coisas se invertem e Téo é o “usineiro do mal”. Ronaldo já foi governador de Alagoas e não resolveu os problemas da educação, saúde e moradia, pelo contrário foi mais um dos aliados da elite alagoana. Renan, que tenta costurar sua candidatura ou a do seu filho ao governo, mantém uma oposição moderada ao governo Téo, mas não esconde que sua posição é pontual, ou seja, fará aliança com Téo e sua avó se for preciso. Mas por hora é com o senador Collor que mantém sua aliança.

Não existe opção com Ronaldo Lessa, Renan, João Lyra e Collor. Não existe uma nova via para Alagoas tendo estes como aliados, porque eles apresentam o mesmo programa que sempre governou Alagoas, são todos exploradores da classe trabalhadora alagoana e verdadeiros experts em rapinar o Estado.

Nesse cenário político, o PT cumpre um papel deprimente. De principal opositor aos usineiros passou a ser um dos principais apoiadores. Embalados na famosa frase de Lula que afirma que os usineiros são os heróis do povo brasileiro, o PT alagoano não é nem a sombra do partido fundado nas terras Caetés, em 1983. Hoje são vassalos de Renan e/ou Collor.

Frente de Esquerda e Socialista Contra os usineiros do PT e PSDB

A única possibilidade de oposição em Alagoas é a que tiver um programa socialista e dos trabalhadores. Nas eleições municipais tivemos um espaço importante ocupado pela esquerda. A eleição dos vereadores do PSTU Amanda Gurgel, em Natal (RN), e Cleber Rabelo, em Belém (RN), junto com a votação recebida por outros de nossos candidatos, como a de Vera em Aracaju (SE), mostrou que é possível apresentar um programa socialista e dos trabalhadores nas eleições.

Em 2012, Maceió vivenciou isto. A frente composta por PSTU e PSOL conseguiu ocupar um espaço importante, conseguimos romper a dicotomia dos grupos dos “usineiros do bem” e dos “usineiros do mal”. A campanha não contou com dinheiro de empresários e nem com acordo com os patrões, mostrando que é possível construir uma via alternativa de esquerda, dos trabalhadores e socialista.

O debate de uma alternativa de esquerda e da classe trabalhadora com um programa que rompa com a dualidade “usineiro do bem” e “usineiro do mal” deverá ser a tônica para superar a miséria alagoana. Junto com a juventude que em 2013 ousou ocupar as ruas e que balançou as praças, inclusive a Praça Centenário. Nesse sentido queremos reforçar o chamado, que já fizemos nacionalmente, ao PSOL e ao PCB para construir em Alagoas uma Frente de Esquerda.

Os usineiros e seus aliados já fazem suas articulações para 2014, fazendo o balanço do governo Téo apenas nas críticas a gerencia do estado, porque na prática tem o mesmo programa e o mesmo modus operandi. Queremos construir uma Frente classista, anticapitalista e que tenha um programa socialista para Alagoas, rompendo com o poder da cana-de-açúcar e de seus aliados. Essa é a única forma de governar para os trabalhadores, a juventude e o povo pobre que sofrem com o secular poder dos usineiros.

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