Na capital dos homicídios, crimes de ódio passam em branco

Por: Yuri Brandão

Na manhã do dia 26 de novembro de 2013, dois jovens assassinaram covardemente um morador de rua, com golpes de canivete, soqueira e punhal. Os jovens alegaram legitima defesa, versão que é desmentida por todas as testemunhas que presenciaram o assassinato.

Só este ano já foram mais de 15 moradores de rua assassinados de forma brutal, com pauladas, tijoladas, facadas, tiros, surras etc. Estes crimes contra mendigos expressam a máxima da ideologia burguesa, um pensamento higienista, de limpar o país do seu “atraso”, eliminando aqueles que não se encaixam no padrão capitalista. São crimes com requintes de crueldade, que não escondem o ódio pelos pobres, usuários de drogas, empregadas domésticas, homossexuais, indígenas, negros, moradores de rua.

A morte deste morador de rua aconteceu na mesma época do assassinato de dois jovens na maior avenida de Maceió. No dia 22 de novembro, uma tentativa de assalto terminou de forma trágica para os assaltantes. Um policial a paisana, ou fazendo um bico de segurança particular, alvejou os dois assaltantes na cabeça e no tórax, matando os dois em uma espécie de filme hollywoodiano.

O assassino misterioso foi condecorado como herói pela matéria da Gazeta de Alagoas, principal jornal do estado, que fala: “Ao acudir, em plena luz do dia, uma família vítima de assaltantes, e ao lograr êxito em alvejar – em explícita e incontestável legítima defesa – dois assaltantes em pleno ato criminoso, esta anônima figura reacende as esperanças alagoanas. Enfim, nem tudo está perdido!”. A solução apontada pelo jornal para o problema da segurança pública no estado é a “justiça com as próprias mãos”, ou o consentimento da barbárie em terras caetés.

O jornal, ao defender o “justiçamento”, deixa transparecer o pensamento de boa parte da classe média e burguesa em Alagoas, reproduzida sem cessar em seus meios de comunicação: “bandido bom é bandido morto”, contudo essa máxima só vale para os extratos mais pobres da sociedade.

Nas redes sociais, as reações às mortes foram bastante diferentes. Enquanto o “justiçamento” dos assaltantes fora exaltado, os assassinos do morador de rua tiveram o benefício da dúvida, legitima defesa ou não, e um silêncio de parte considerável do ativismo.

O combate a esta ideologia é uma tarefa de primeira ordem. Vivemos em um cenário de guerra civil, onde a apatia com a morte de tantos jovens negros e pobres é geral. Não vemos manifestações em busca dos Amarildos. Isto é sinal de que nossa classe absorve esta ideologia de maneira muito forte. A II Marcha da Periferia aqui em Alagoas foi um ponto importante para este combate, mas precisamos avançar muito mais. É dever das organizações de esquerda ficar à frente deste embate.

Contra o fascismo cotidiano e os atos direita: organização dos trabalhadores e unidade da esquerda

Durante as grandes manifestações que começaram em junho, a força da juventude conseguiu derrotar o aumento das passagens em todo o Brasil. Vimos uma grande parte da juventude pobre e dos trabalhadores se enfrentando contra os governos e seus aliados. Mas se por um lado a juventude se organizava para enfrentar os governos, vimos setores fascistas que tentavam desmobilizar e atacar, principalmente, as organizações de esquerda que estavam nos atos.

Em Alagoas não foi diferente. Durante o desfile militar de 07 de setembro, um grupo de jovens mostrava seus cartazes pedindo a volta dos militares ao poder. Faixas em defesa da Ditadura Militar marcaram uma parte do desfile. Porém, não foi apenas isso. As organizações de esquerda e os movimentos sociais foram atacados por elementos proto-fascistas, além de terem em suas fileiras infiltrados diversos P2. As jornadas de luta de 2013 mostraram que a direita não aceita passivamente que os trabalhadores se organizem, e muito menos aceita que os militantes de esquerda o façam.

Os assassinatos citados fazem com que deixemos o alerta em alta. Pelo discurso do justiçamento, que atinge apenas os extratos mais pobres; e pelos crimes de ódio. Não podemos vacilar, é preciso que haja investigação e punição a todos os crimes. Além disso, devemos ficar atentos para o surgimento de grupos proto-fascistas em nossa capital.

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