PSTU reafirma chamado a frente de esquerda em Alagoas

Paulo Roberto
Wibsson Ribeiro

O balanço do ano de 2013 resulta, mais uma vez, em miséria e desgraça para os trabalhadores e a população pobre de Alagoas. É o estado com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Brasil, e tem 88 dos 102 municípios com IDH baixo[1]. O Estado também “lidera” o índice de analfabetismo 21,8% dos habitantes de 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever no estado[2].

E para piorar, novamente a capital do estado apareceu como a mais violenta do país, sendo a 6°cidade mais violenta do mundo[3]. Fechamos o ano com a fabulosa e triste taxa de 187 homicídios a cada 100 mil habitantes, ou seja, proporcionalmente se mata mais em Alagoas do que em ambientes de guerra.

Esses dados não pesam na consciência dos verdadeiros culpados. Os setores da cana-de-açúcar não ligam para esses números, querem apenas que o estado aumente as benesses ao setor, como a isenção de impostos. Assim como a outra parte da burguesia alagoana, ligada ao setor de comércio e serviços, que só se preocupa com a segurança de suas mercadorias.

Nas últimas semanas se intensificaram o esforço para que seja definido quais serão os candidatos a governador de Alagoas. Na disputa, dois grupos burgueses tentam polarizar as eleições.

Por um lado o governador de Alagoas, Téo Vilela, anunciou que não será candidato ao senado, mas ainda não se posicionou em relação ao candidato que apoiara para a sua sucessão. Entre os nomes estão velhas figuras da “direita clássica” de Alagoas: Luiz Otávio Gomes e Marco Fireman ambos do PSDB, Alexandre Toledo (PSB), Benedito de Lira (PP) e Thomaz Nonô (DEM). Todos fizeram parte do governo Téo, são corresponsáveis direto pelo atual cenário de miséria e desgraça que ataca os trabalhadores e o povo pobre de Alagoas.

E do outro lado, da base aliada do Governo Federal (Dilma Roussef/PT), vive-se a espera da posição de Renan Calheiros (PMDB), único nome capaz de aglutinar todo o grupo. Mas como existe indecisão de Renan o grupo começa a ter atritos; como é o caso do anúncio da pré-candidatura de Cícero Almeida (ex-prefeito de Maceió).

Estes dois grupos políticos, no entanto, representam o mesmo projeto para Alagoas, aplicaram o mesmo projeto político em detrimento da maioria da população alagoana. Ambos já governaram Alagoas, e ao invés de termos melhoras nas condições de vida o resultado foi os tenebrosos índices sociais. Em ambos grupos temos representantes dos setores sucroalcooleiro, o que mostra que na prática são iguais.

E o PT?  O PT não conseguiu capitalizar para si um programa e figuras públicas que pudessem se contrapor ao poder organizado dos setores da cana-de-açúcar, e agora se rende ao grupo do senador Renan Calheiros, que ainda tem o também Senador Fernando Collor de Mello. Antigo inimigo mortal de Collor e Renan, agora o PT faz o papel de dócil aliado.

Por uma frente de Esquerda e Socialista, para combater os usineiros e a traição do PT

No final do ano passado o PSTU lançou uma nota chamando o PSOL e PCB para compor uma frente de esquerda em Alagoas, que teria como objetivo enfrentar as variantes burguesas ligadas aos poderes da cana e também enfrentar a traição do PT. Queremos reafirmar o chamado para ambos para que possam, junto conosco, construir um programa e uma candidatura que enfrente os inimigos dos trabalhadores.

O quadro da miséria e o fato de mais um ano se repetir a trágica jornada alagoana, reforça a necessidade de uma alternativa de esquerda e socialista para Alagoas. Nesse sentido, reforçamos o chamado que fizemos no final de 2013 ao PSOL e ao PCB, para construir e fortalecer a Frente de Esquerda nas eleições.

Ficamos felizes de ver que o chamado teve eco, sentido pelas notas lançadas pelo PCB e também pela posição do PSOL. Ambos se colocaram a favor da construção de uma alternativa ao poder secular das oligarquias alagoanas. Contudo, tivemos alguns percalços no caminho.

É notório que a formação da frente trará problemas para os grupos que tentam hegemonizar as eleições. Usando principalmente dos meios de comunicação, que são dominados pelos mesmos grupos que tentam hegemonizar a disputa eleitoral, abriu-se uma temporada de calúnias e mentiras. É velha a tática de difundir mentiras para embaralhar as organizações de esquerda, seja usando os velhos cães de guarda ou até figuras que já foram de esquerda e passaram de “mala e cuia” para o outro lado.

Para garantir a frente, por outro lado, será fundamental colocarmos as vaidades de lado e pensarmos em um programa capaz de enfrentar as oligarquias e também as empresas que sugam o suor e o sangue dos alagoanos. De nada nos adiantará nos prendermos à discussões sobre o nome que deve encabeçar a frente, quem deve ser o governador ou se partido x ou y será aquele com mais visibilidade. Deveremos respeitar proporcionalmente o peso de todos os partidos e nos balizarmos centralmente em um programa que coloque com grande visibilidade os problemas da classe trabalhadora alagoana, este deverá ser o nosso centro.

A frente de esquerda nestas eleições será a resposta mais contundente que poderemos dar às candidaturas do PSDB e do governo federal no Estado. Devemos romper esta falsa polarização que existe entre estes partidos. Na prática estes projetos representam a mesma coisa: manter Alagoas sob o domínio de uma classe econômica privilegiada em detrimento da maioria da população. A frente de Esquerda comprometida com a construção de um governo dos trabalhadores é a alternativa política que pode efetivamente colocar os rumos da história nas mãos dos alagoanos, garantindo um futuro distinto daqueles que a burguesia quer nos dar.

Mais uma vez, reforçamos o chamado ao PCB e ao PSOL para a construção de uma alternativa política da esquerda socialista em Alagoas.




[1] Dados do “Atlas Brasil 2013” das Nações Unidas.
[2] Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) 2013.
[3] Segundo o Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal do México, 2014.

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