Uma resposta do PSTU/AL à secretária de Educação Josicleide Moura

No último domingo, 30/03, o jornal Gazeta de Alagoas publicou um caderno especial sobre a situação da educação pública no estado. Em uma de suas páginas, a atual secretária da Educação e Esporte, Josicleide Moura, concedeu uma entrevista ao jornal que tem uma das maiores circulações em Alagoas. A secretária se posiciona publicamente pela primeira vez para avaliar as causas do caos em que a educação se encontra. Culpando os professores pelos resultados ruins obtidos no desempenho dos estudantes; segundo ela os professores não se comprometem com a profissão e “não vestem a camisa e não se dedicam ao serviço público”.

A secretária continuou: “Sempre uso nas minhas falas com o nosso colegiado que nós somos educadores porque escolhemos ser educadores, temos que honrar o compromisso, fazer com amor e saber que (...) é o futuro de uma geração. Enquanto os educadores não tiverem esse sentimento, o estado vai continuar com os piores índices”.

É fundamental que os movimentos sociais que lutam por uma educação pública e de qualidade respondam muito bem as questões colocadas pela secretária. Em seus posicionamentos, ela não mostra apenas desprezo pelos profissionais da educação, mas também demonstra um objetivo claro, o de tentar desviar o foco principal do que já é um dado da realidade há anos, e que se aprofundou com o PSDB à frente do governo estadual, desde 2006.

Vejamos uma breve avaliação da educação em Alagoas.

DA PERDA DE ALUNOS À FALTA DE INVESTIMENTO ESTADUAL

Dados recentes que se tornaram oficiais do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA) mostram uma triste realidade: os estudantes alagoanos de 15 anos ficaram com o último lugar do Brasil; em matemática foram 342 pontos, em leitura – 355 pontos e em ciências - 346, alcançando uma média de 347,7637. O Espírito Santo, que encabeça a lista brasileira, teve 423,248 pontos de média. Nesse sentido, Alagoas ficou com o pior resultado em qualidade da educação, segundo o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Como se não bastasse, a rede estadual de ensino perde cerca de 13 mil alunos ao ano por conta da evasão escolar. Entre 2006 e 2013 (ou seja, durante quase toda a gestão de Teotonio Vilela Filho), a situação se tornou caótica, com a perda do total de 93 mil alunos nas escolas públicas. Esses dados são de responsabilidade direta do governo Vilela, que está há oito anos no governo do estado. Custou anos para que este mesmo governo realizasse um concurso público para educação; e só o fez em seu último ano. E este concurso, que foi resultado da pressão dos professores indignados com os resultados pífios de sua gestão, reluta em convocar os aprovados, com o objetivo de manter a contratação de monitores.

A falta de investimento em professores, para que estes possam trabalhar em condições mínimas de estrutura e receber salários dignos, é a raiz dos males da ausência de educação como prioridade. Esse é um dado geral no Brasil, pois não devemos deixar de lado a falta de financiamento por parte do Governo Dilma, que insiste em aprovar o Plano Nacional de Educação e que não defende 10% do PIB para a educação pública como política de financiamento.

Não é culpa dos professores, ao contrário do que alega Josicleide Moura, que repete o mesmo discurso dos governos estaduais e municipais de campanha contra os professores, alegando que eles não ensinariam “por amor”. O que falta a secretária responder aos professores é como um trabalhador da educação, que ganha R$ 1222,00 e enfrenta diariamente o cotidiano em sala de aula, com péssimas condições de trabalho, pode trabalhar com entusiasmo.

Muitos professores, na maioria das escolas estaduais, são contratados temporariamente (monitores) e não possuem direitos trabalhistas básicos como direito a férias. E os efetivos enfrentam problemas estruturais em suas escolas. É impossível fechar os olhos para o desgaste da educação, enquanto crescem as taxas de mensalidades e o número de instituições privadas de ensino.

JOSICLEIDE MOURA E ADRIANO SOARES: DOIS LADOS DE UM MESMO PROJETO DE SUCATEAMENTO DA EDUCAÇÃO

A secretária assumiu a pasta da educação estadual em 2013, após o desgaste de seu antecessor, Adriano Soares, que foi demitido após publicar em seu perfil pessoal no Facebook um vídeo onde sugeria que os manifestantes de junho/julho “tomassem no c...”. O mesmo Adriano Soares, já fora da secretaria, chega ao absurdo de justificar os gastos de R$ 1 milhão do governo Teo com empresas de buffet: “não é uma ‘farra gastronômica’ nem é ilícita nem ilegítima (...),os órgãos públicos precisam ter orçamento para as solenidades a serem realizadas, inclusive para refeições’’ (disse isso em seu Facebook). Por acaso o governo em algum momento teve a iniciativa de priorizar em seu orçamento a educação?

Nós do PSTU/AL acreditamos que a atual gestão representa a continuidade das diretrizes do PSDB para a educação, com toda a campanha de culpar professores, funcionários e alunos pelos problemas da rede estadual e municipal de ensino. Por isso não devemos depositar nenhuma confiança na secretária atual, pois está sendo porta-voz de suas políticas nefastas no estado.

EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA, NENHUMA CONFIANÇA NO PSDB DE TEO VILELA!
O PSTU/AL defende a luta dos professores, funcionários de escola e técnico-administrativos da rede estadual, pois é nos momentos de greve e mobilização que conquistamos vitórias. Tivemos vitórias parciais como a realização do concurso público, por pressão direta dos professores. Assim como vitorias parciais no cumprimento do piso, ainda que levadas à frente pela direção do SINTEAL, que não mobilizou toda a sua categoria nas recentes paralisações, tampouco emitiu uma nota denunciando o governo Teo e exigindo a contratação dos aprovados do concurso ou defendendo os monitores.

Que os professores de Alagoas continuem mobilizados em defesa de suas pautas nesse ano significativo que é o de 2014, onde se prometem mobilizações durante e depois da Copa de diferentes categorias.


A luta segue!

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