13 DE MAIO NÃO É DIA DO NEGRO

Niara Aureliano - Secretaria de Negros e Negras do PSTU
André de Albuquerque - Juventude PSTU

Há exatos 126 anos, a Princesa Isabel assinava a Lei Áurea que, segundo os livros oficiais de História, libertou negros e negras da escravidão. Hoje, porém, ficou claro que não estamos libertos: uma abolição assinada, milhões de negros jogados das senzalas nas periferias. Milhões de negros que continuam ainda hoje nas favelas, no trabalho escravo e as principais vítimas da terceirização e da precarização. Outros estão nos presídios, nas ruas sofrendo linchamentos, vítimas cotidianas dos péssimos sistemas de educação, saúde e transporte público.
 
Alagoas - terra de Zumbi e Dandara, nossos verdadeiros símbolos - padece nas mãos dos usineiros e oligarquias, disponibilizando ao povo preto e pobre do estado as piores condições de vida possíveis. É em Alagoas também que praticamente inexistem as Políticas Públicas de equiparação racial, segundo o próprio vice-presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir) no estado. Somos nós os mais pobres, os mais desempregados, os mais analfabetos, os que mais sofrem com a fome, os que têm as piores condições de moradia e as vítimas preferenciais da violência.
 
BALAS PERDIDAS OU CERTEIRAS?
 
Chegamos quase ao fim do primeiro semestre de 2014 e os índices de violência em Alagoas continuam alarmantes. A cada 1 branco assassinado, 18 negros são mortos no Estado. O número de mortes de jovens com idade entre 15 e 29 anos cresceu 5,48% em 2013, em relação ao ano de 2012. Como comemorar a libertação se os negros continuam sendo mortos?
 
Tudo isso é o resultado de uma política de descaso dos governos do PT e PSDB. Teotônio Vilela (PSDB) há oito anos governa o Estado para os usineiros. Em parceria com o Governo Federal do PT, Alagoas virou então o laboratório para o Plano Brasil Mais Seguro, que trouxe a Força Nacional para Alagoas, para amedrontar ainda mais os pretos e pobres das periferias.
 
13 de Maio não é dia de comemorar, mas de lutar por todos os nossos Amarildos, Claudias, Douglas, Jeans e DGs que morreram nas mãos da Polícia Militar, treinada para matar nossos irmãos de raça e classe a mando dos governos, da Política de Extermínio e da Política do Encarceramento.
 
SOCIALISMO: A SAÍDA PARA A VERDADEIRA LIBERTAÇÃO
 
É preciso superar o racismo no mercado de trabalho, garantir igualdade salarial entre negros e brancos, permitir que os negros tenham acesso a empregos de qualidade, à mobilidade e ascensão no mercado de trabalho. É preciso garantir a presença de negros nos espaços acadêmicos e de produção de ciência.
 
Mas se por um lado precisamos enfrentar o racismo de maneira específica, não podemos isolar este enfrentamento da luta de classes. Frente à superexploração e à opressão fica claro que a construção do socialismo é o caminho que a juventude e a classe trabalhadora, majoritariamente negra, devem trilhar para superar o racismo e conquistar a verdadeira libertação.

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