Maceioenses pagam caro por rede de esgoto que não funciona

Por Paulo Bob




Especialistas em Engenharia de Saúde Pública da Funasa estimaram que a cada real investido em saneamento básico se economiza quatro reais em custos no sistema de saúde. Apesar disto, dados do Ministério das Cidades apontam que apenas 35,4% da população de Maceió têm coleta de esgoto, por exemplo.

Na Ponta Grossa, Vergel do Lago, Levada, Trapiche e nos entornos da Lagoa Mundaú, a situação também é complicada. Os moradores têm acesso a uma água potável de péssima qualidade e, além disto, são obrigados a pagar uma taxa de esgoto que varia de 60% a 100% do seu consumo de água, mesmo não tendo coleta de esgoto. E, como se não fosse suficiente este absurdo, a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) acabou de anunciar o aumento de 10,36% da taxa de esgoto e de água, a partir de 1 de julho.

A propósito, em muitas ruas a rede coletora até existe: foi construída no final da década de 1990 pela Kátia Born (PSB), ex-prefeita e atual secretária da mulher no governo Teo Vilela. Born foi reeleita em 2000 com a promessa de fazer as ligações da rede coletora, mas de lá pra cá, nada foi feito. Neste período, alguns moradores se arriscaram a fazer o serviço por conta própria e o resultado são caixas de inspeção estouradas, canos de espessura inadequada entupidos e esgoto correndo a céu aberto. E, pior, se paga caro por este descaso.

É preciso que a Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas) pare imediatamente de cobrar essa taxa abusiva. Muitos moradores estão organizando abaixo assinados e judicializando a dívida. São iniciativas importantes, mas que precisam ser potencializadas por mobilizações. Junho deixou claro que nossa luta não era só por vinte centavos, mas também por saúde e saneamento básico.

Por fim, o silêncio cúmplice do prefeito de Maceió Rui Palmeira (PSDB) precisa ser rompido. Rui deve encarar com seriedade o problema da coleta e tratamento do esgoto, mas, além disso, do lixo que se acumula em muitas esquinas pela ausência de contêineres, da regularidade no recolhimento de lixo, da valorização dos garis e dos agentes comunitários e de endemias, enfim, encarar todos estes elementos que colocam Maceió entre as 10 piores cidades do país em saneamento básico.



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