O sonho do primeiro emprego

Por Nivaldo Ferreira, Eletricista de manutenção/SENAI
Juventude do PSTU

Ter um emprego hoje em dia não é apenas ter uma fonte de renda. Ter um emprego é também uma forma de ser visto com bons olhos pelas outras pessoas. Estar empregado não é fácil; é muito complicado, para falar a verdade. Temos que superar nossas próprias dificuldades e muitas vezes aceitar as imposições do patrão.

Tudo isso faz parte do universo do trabalho, a que todos estão presos. Mas não significa que vamos abaixar a cabeça. Antes de ir ao mercado do trabalho são necessárias diversas qualificações como: cursos profissionalizantes, cursos técnicos, cursos tecnológicos, cursos superiores. Esses cursos são realizados em institutos federais, no SENAI, às vezes na própria empresa. Com isso, somos trabalhadores especiais, qualificados. Vale a pena dizer que todo trabalhador já é especial, pois batalha todos os dias.

Mesmo um trabalhador qualificado não está livre do abuso do patrão, da cobrança além do normal, da exploração da empresa. Não estamos a sós nessa empreitada, há na solidariedade e na união do companheiro de trabalho a força para superar as dificuldades.

Hoje em dia as empresas contratam menores aprendizes para incorporar aos quadros de trabalhadores, no entanto, os aprendizes sofrem com o descaso. Atraso de salários, falta de informação sobre o estado da empresa, enfim são simplesmente jogados no SENAI/SENAC. Quando passam para o estágio, são deixados de lado, acabando com as expectativas de alguma contratação, são vistos como “pesos mortos” pela empresa.

O jovem trabalhador de hoje tem muito em comum com o experiente trabalhador de ontem, pois sofrem com os mesmos problemas. Um exemplo é a terceirização do trabalho, quando os empregos ficam cada vez mais precarizados: maiores jornadas de trabalho, menores salários e muita rotatividade (substituição de trabalhadores antigos por novos, que faz com que não exista estabilidade no emprego e faz com que as empresas contratem os novos trabalhadores com salários mais baixos). Essa é a atual cara do trabalho no Brasil. Isso é muito bom para as empresas, pois significa muito mais lucro. E só o trabalhador sai perdendo nessa relação.

Mas podemos virar esse jogo. Com a união dos trabalhadores jovens e antigos, não seremos explorados pelas empresas e patrões que buscam lucros à custa do suor do trabalhador.

Nós, da juventude do PSTU, defendemos a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução do salário, pois assim poderíamos aumentar significativamente a oferta de emprego no país. Essa medida possibilitaria que um programa de incentivo ao primeiro emprego, com salário e direitos iguais, fosse realmente eficaz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário