25 de julho: um dia de luta das mulheres negras

Por Niara Aureliano, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU


No dia 25 de julho celebra-se o Dia Latinoamericano e Caribenho de Luta das Mulheres Negras. Data instituída em 1992 no 1º Encontro das Mulheres Negras Latinoamericanas e Caribenhas, ocorrido na República Dominicana, é o dia específico em que denunciamos ainda mais alto a opressão e exploração que sofremos todos os dias: o combo machismo e racismo, aliado à opressão capitalista, destrói a vida de milhares de mulheres ao redor do mundo.

No Brasil, a situação está estampada nas estatísticas de violência: da sexual, à doméstica; da psicológica, à obstétrica e ginecológica. Fomos 64% das vítimas de violência doméstica, psicológica e sexual, em 2012. Estampamos também os piores índices no mercado de trabalho: chegamos a receber 65% do salário de um homem branco que realiza a mesma função, e recebemos cerca de 30% a menos que uma mulher branca.

Não podemos falar de aborto achando que essa é uma realidade distante. Por mais que nos faltem dados concretos sobre o assunto, por este ainda ser, infelizmente, crime, o perfil das mulheres que abortam nos mostra que o abandono e descaso têm cor: a grande maioria é negra, tem até 19 anos e já tem filho(s). Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff (PT) fecha conchavos políticos prometendo não legalizar o aborto. No fim das contas, ela promete continuar matando milhares de mulheres negras em clínicas clandestinas, ou com agulhas de tricô ferindo seus úteros.

Há ainda o terrível mito da mulher mulata, que nos coloca a todo momento como um pedaço de carne: a mulher negra feita para “se divertir”. Dadas as péssimas condições de vida, estamos sujeitas à uma sociedade que nos joga na prostituição desde muito novas, chegando até a defender que nosso sexo é uma mercadoria que pode ser vendida ou comprada, e que se pode regulamentar a nossa opressão e exploração. Enquanto isso, nos retira o básico direito à uma sexualidade livre, sem estigmas; nos retira o direito de andar nas ruas sem receber cantadas (que são ainda mais ofensivas quando se trata de mulheres negras).

Exploração capitalista: a carne mais barata do mercado

A cada 10 domésticas, somos seis. O que não quer dizer que temos os nossos direitos garantidos pelo Governo Federal (que se coloca enquanto Partido dos Trabalhadores, mas parece esquecer que a classe trabalhadora é negra): a PEC das domésticas assegura o direito dos patrões, legalizando as 44h semanais de trabalho, a desoneração do empregador em 12% do recolhimento para o INSS e a isenção do pagamento de multa em caso de demissão sem justa causa – mas não assegura os direitos dos sete milhões de empregados domésticos, cujo 93% são mulheres e 60% negras.

Os índices de exploração se agravam em toda América Latina e no Caribe. Vítimas do imperialismo, nos é imposto os postos de trabalho mais precarizados, a terceirização, e o desemprego, enquanto rios de dinheiro dos países da América Central e do Sul continuam a ser entregues às multinacionais norte-americanas e europeias. No Brasil, o gigante da América Latina, também não é diferente, e quem paga o preço somos nós, mulheres negras, que enquanto classe trabalhadora, e estigmatizadas pelo racismo e machismo, recebemos as migalhas das migalhas do que é destinado aos trabalhadores. Somos 71% das pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza no mundo. A pobreza também tem cor.

Lu, deputada estadual: uma alternativa para Alagoas

Os governos do PT e PSDB de Teotônio Vilela não representam os trabalhadores de nosso Estado. E para nós, negras, viver em Alagoas significa sofrer nas filas dos hospitais públicos, com o descaso do Hospital Geral do Estado (HGE) e com a Maternidade Santa Mônica, localizados em Maceió, vide que não há dinheiro para se investir na saúde, mas há mais de 10 milhões de reais para gastar com buffet para os usineiros; Teotônio também diz que não tem dinheiro pra educação e pra convocar imediatamente todo o cadastro reserva do último concurso da educação em Alagoas – o que possibilitaria que milhares de crianças negras tivessem acesso à educação -, mas tem dinheiro pra andar apenas de helicóptero na capital alagoana.

As mulheres negras de nosso Estado também amargam outras terríveis posições nas estatísticas. É aqui o terceiro Estado em que mais se matam mulheres no país: 8,84 mulheres são assassinadas por seus companheiros em um número de 100 mil mulheres negras e brancas, sendo para as negras ainda mais arriscado.

#Fala Lu

Ser mulher em Alagoas é tarefa difícil. Só um programa revolucionário contra a traição do PT e contra os partidos dos usineiros, ou seja, os governos da burguesia racista, trará uma vida sem machismo e racismo para as mulheres alagoanas. Colocamos as candidaturas do PSTU para combater a opressão e a exploração capitalista, fazendo exigências a esses governos que nunca priorizaram as mulheres trabalhadoras. Queremos, dessa forma, fazer ecoar a voz da juventude que esteve nas ruas lutando por seus direitos e também a voz das mulheres negras: chega de violência policial e sexual! Basta de precarização!

Chega de penar nas mãos da burguesia racista! Basta de precarização!

Contra as correntes do trabalho precário! Equiparação salarial JÁ, independente da raça e gênero!

Ampliação da Lei Maria da Penha e outras políticas públicas para garantir a segurança das mulheres, principalmente as negras, as maiores vítimas de violência!

Por delegacias da mulher abertas 24h e durante os fins de semana! Mais casas abrigo para proteger da violência!

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