2015 na próxima esquina


Faltam algumas horas para o fim dos 08 anos de Téo Vilela (PSDB) a afrente do governo. Este período finda com o aprofundamento da miséria alagoana e com uma política consciente de austeridade fiscal para os gastos sociais e bondosos benefícios fiscais aos setores do açúcar (desonerações). Esta escolha do governo Téo, resultou nas astronômicas taxas de violência, acompanhadas pelo caos e descaso que reinam na educação, saúde, moradia e desemprego
O governador e o PSDB terminam sozinhos, abandonados por todos seus aliados. Mas Téo não governou sozinho. Contou com apoio de diversas partidos e figuras públicas que tentam se distanciar do legado de governo. Não podemos nos esquecer deles, porque a conta das mortes deve ser entregue a todos. E, por isso, não podemos esperar que estes sejam os “salvadores” do estado.
Desta forma é preciso lembrar que o PMDB foi parte do primeiro governo Téo Vilela e que na disputa das eleições deste ano os três primeiros colocados no governo (Renan Filho – PMDB, Biu de Lira – PP, Julio Cezar – PSDB) foram corresponsáveis pela continuidade da miséria alagoana.

Sem novidades: 2015 e os filhos das oligarquias
As eleições de 2014 mostraram alguns aspectos importantes em Alagoas. O PSDB ainda mantem uma influência considerável, foi o estado do nordeste que teve o maior número de cidades que deu vitória para Aécio Neves (PSDB) e onde Dilma (PT) teve o menor percentual, apesar de ainda ser muito alto (62,13%). No nordeste o apoio ao PT é maior que no conjunto da população.
Pedro Viela faz campanha com Renan Filho em Pindoba
Outro aspecto importante foram as votações dos filhos das oligarquias, os agroboys. Rodrigo Cunha e JHC, respectivamente os mais votados para deputado Estadual e Federal, mesmo com suas ligações (JHC é filho de João Caldas e Rodrigo Cunha é do PSDB). Apesar de se apresentarem com a ideia de “cara nova”, estas candidaturas não representam o rompimento com o velho. É uma nova cara (filhos e netos) da velha oligarquia. Renan Filho, JHC, Marx Beltrão, Pedro Vilela, Rodrigo Cunha foram os mais votados e todos “herdeiros de família” ligados aos “currais eleitorais” [1].
Em alagoas, assim como em todo o Brasil, a farsa da democracia dos ricos e poderosos foi quem deu a tônica:  financiamento privado de campanhas, currais eleitorais, compra de votos, coerção e um longo etc. Os velhos e novos políticos reproduziram o mesmo expediente. O que gerou a manutenção do poder de velhas figuras. 
Continuaremos com a Assembleia Legislativa sendo um dos piores antros de corruptos. Os deputados Federais eleitos são de partidos ligados as oligarquias e os usineiros: Ronaldo Lessa (ex-governador), Cícero Almeida (ex-prefeito de Maceió), Givaldo Carimbão (“dono” de várias casas que abrigam dependentes químicos), Arthur Lira (filho de Biu de Lira e envolvido em escândalos de corrupção: relação com o doleiro Alberto Youssef e as taturanas). E Paulão (PT), que com a aliança com as oligarquias conseguiu se eleger diretamente. E Collor reeleito para o senado, sem grandes esforços.
2015 mantem as oligarquias no poder, tendo à frente, desta vez, seus filhos e netos.

Renan Filho governador: Alagoas nas mãos das construtoras, agronegócio e da corrupção

 
O novo governador de Alagoas assumirá em poucos dias, Renan Calheiros Filho (PMDB) ganhou as eleições com 52,16%[2] ficando à frente do folclórico senador Benedito de Lira (PP) 33,91% e do candidato do governo do estado Júlio Cezar 7,92%. Renan é herdeiro político da mais forte oligarquia alagoana: os Calheiros. Renan representa a nova forma de atuar da elite alagoana: substituir os antigos representantes pelos seus filhos e netos, “agroboys”. 
Renan Filho sagrou-se vitorioso, após o maquiavélico esquema de campanha construído por Renan Calheiros (pai). O esquema contava com o apoio da maioria dos prefeitos alagoanos, inclusive do partido de Biu de Lira e do PSDB. Pela dependência das verbas federais, ficou menos difícil articular o apoio dos municípios.
Renan também montou uma coligação “oficial”, deixando de fora o PMN (Francisco Tenório) e o PRTB (Cícero Almeida, João Beltrão e Antônio Albuquerque) para que não maculasse a figura do filho – mas todos participavam da campanha sem grandes problemas. E ainda contou com dois candidatos possíveis laranjas para fazer os ataques aos adversários – Luciano Balbino e Coronel Goulart. A coligação conseguiu a maioria dos deputados estaduais e federais.
Por fim colocou como vice-governador Luciano Barbosa, ex-ministro Integração Nacional e ex-prefeito de Arapiraca, com a tarefa de assessorar Renan Filho.
No financiamento, foram mais de R$ 16,800 milhões recebido de várias empresas, construtoras e bancos. As construtoras OAS, Galvão Queiroz, Camargo Correia, Amorim Construção, Amorim Amorim, UTC Engenharia, Jorge Pavimentação e Construção, Serveng e Odebrecht juntas doaram R$ 9,2 milhões. Bradesco, Banco Safra e Banco BTG doaram R$ 935 mil. E a JBS S.A. (Friboi) doou R$ 1 milhão.
A maior parte destas empresas respondem a processos de corrupção que envolve o PMDB, PT e o PSDB (Cosang envolvida no “propinoduto” de São Paulo). E ainda Camargo Corrêa, OAS, UTC e Odebrecht envolvidas na formação de cartel, fraude e desvio de recursos da Petrobras. Também são as mesmas empresas que financiaram as campanhas de Aécio Neves (PSDB) e Dilma (PT).
Renan Filho também teve doação da Braskem 320 mil. Usinas de açúcar de vários estados brasileiros. E a doação de 351 mil da candidatura de Dilma Roussef (PT).
As doações foram articuladas por Renan Calheiros, que chegou a receber críticas de outros membros do PMDB que acusavam o senador de favorecimento, já que outros candidatos do PMDB não tiveram o mesmo tratamento que o Renan Filho.
O novo governador de Alagoas expressa o poder do senador Renan Calheiros, como articulador e também como um dos grandes nomes da República. Seu poder resulta não só da sua relação com os setores do agronegócio, mas também do controle que o PMDB mantém em diversos órgãos do governo federal que serve de moeda de troca nas campanhas. Por isso não fora difícil conseguir os milhões para a campanha do filho e os apoios políticos, colocando Alagoas nas mãos das construtoras e do agronegócio.

Os secretários de estado e a continuação da miséria alagoana

As indicações do secretariado de Renan Filho já indicam como será seu governo. Composto por empresários, alguns ligados ao agronegócio (Casa Civil, Agricultura, Trabalho), técnicos defensores das políticas liberais e as divisões dos partidos aliados.
Nesse cenário político, o PT e o PCdoB cumprem um papel deprimente. De principal opositor das oligarquias passam a principais apoiadores. Embalados na famosa frase de Lula que afirma que os usineiros são os heróis do povo brasileiro, o PT alagoano não é nem a sombra do partido fundado nas terras Caetés, em 1983. Hoje apenas vassalo de Renan e do PMDB.
O PCdoB ocupará a secretaria de Esporte, Lazer e Juventude. Como acabar com o extermínio da juventude pobre e negra em Alagoas se os principais causadores governam o estado? Para o PCdoB anão tem nenhum problema estar no mesmo banquete que os responsáveis pela miséria alagoana.
Aos que fizeram fileiras com o PCdoB e o PT nas lutas do povo alagoano contra as oligarquias e os usineiros, cabe agora romper com estes partidos. Esses que em outrora organizaram e fizeram mobilizações contra os que estavam no poder hoje se juntam a eles em troca de cargos no governo e das migalhas oferecidas pelos chefões da política alagoana.
Na secretaria de educação o indicado é o Vice-governador Luciano Barbosa. Terá como tarefa retirar Alagoas dos piores indicadores, contudo já na contramão barrou a nomeação do Cadastro de Reserva do concurso dos professores. E na Defesa Social: o contraditório Alfredo Gaspar de Mendonça, sua atuação no Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do MPE, o colocou como denunciante de aliados e secretários do novo governo.
Seguindo as trágicas jornadas alagoanas, a nova secretária de Cultura é Melina Freitas (PMDB), ex-prefeita de Piranhas e sem nenhuma ligação com a produção e o fomento da Cultura alagoana, Melina é acusada de cometer 455 crimes para desviar R$ 16 milhões da Prefeitura de Piranhas. Apenas horror e tragédia acomete serão os novos gêneros da secretaria de Cultura.
A combinação do secretariado reforça a continuação da tragédia alagoana. Romper com a miséria só com ruptura. Contudo o novo governo é continuidade.

2015 de lutas e unidade

O governo de Renan Filho deverá se ligar aos desdobramentos do governo Dilma e da crise econômica que se avizinha, principalmente porque Alagoas ainda se mantem como dependente das políticas sociais e das remessas de verbas do Governo Federal.
As indicações do futuro governo Dilma confirmam, junto com as medidas já tomadas como o aumento dos juros e da gasolina, fim de direitos trabalhistas. E mais ataques para o próximo ano. Estas medidas tendem a repercutir em Alagoas.
Devemos estar preparados para enfrentar o Governo Dilma e também os ataques do governo Renan. Ao construir nossas lutas no próximo ano, precisamos nos unir num campo de classe, em base de um programa que ataque os interesses dos ricos e poderosos do Estado, unificando os trabalhadores da cidade e do campo na busca de melhores condições de vida para a população. Um campo de classe que se delimite e lute sim contra todas as alternativas de direita existentes e também contra a traição do PT.





[1] Para ter uma ideia da relação do poder dos currais eleitorais, muitos mantidos a fé e força, em Coruripe Marx Beltrão teve 57,18% dos votos válidos para deputado Federal; e João Beltrão teve 47,16% dos votos para deputado Estadual. Ambos foram eleitos e tiveram, praticamente, metade dos seus votos na cidade.
[2] 670.313 mil votos, em universo de 1.466.627. 

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