Vila de Pescadores de Jaraguá: da negação à reafirmação na luta.

por Felipe Sales, graduando em Ciências Sociais pela Ufal
Foto: Felipe Sales
O fim da tarde se aproximava. Vivia-se bem, na medida do possível, na Vila dos Pescadores de Jaraguá. As crianças brincavam, os cachorros corriam, os velhos lembravam e as mulheres mariscavam. E esperavam. Esperavam o retorno dos maridos, que há dias partiram ao mar, ao alto-mar.

Foto de Ávila Menezes retirada da fanpage do abrace a vila.


“Zrumm!” Mensagem no celular. URGENTE! “A partir das 4 da manhã uma força policial composta por Bope, PM, SMTT, etc, irá iniciar a desocupação da favela e a retirada dos moradores!”. Foi assim, ao cair da tarde da terça-feira (16), pelo celular, longe de seus companheiros e familiares, que homens e mulheres, idosos e crianças souberam da desocupação e destruição da Vila, de suas moradas. O que não se imaginava ou não se queria acreditar era que o sofrimento de um povo pobre, em sua maioria, preto e trabalhador estava apenas começando.


Foto de Ávila Menezes retirada da fanpage do abrace a vila.
A possibilidade cada vez mais iminente da perda de sua história, de sua cultura, de sua identidade batia de frente, mas parecia que os paralisavam. E como que paralisados se puseram a pensar: será que é verdade? E se for, pra onde eu vou? Aonde todo mundo vai morar? Seu Zé e eu ainda seremos vizinhos? O que podemos fazer? Era preciso solidariedade. E ativistas do movimentos sociais, do PSTU, do PCB, da Resistencia Popular, do Espaço Socialista e independentes foram para lá para ajudar, para abraçar.

Foto: Felipe Sales

A manhã da quarta-feira (17/06) chegou e trouxe com ela a destruição. Destruição do direito à moradia, da dignidade, do trabalho, do sonho. Trouxe todo o aparato repressivo de uma cidade, de um país, de um mundo em que a lógica do humano, do ser-humano, é o que menos importa. Assistir a perda da dignidade de centenas pessoas, já há muito sofrida, era desolador. Revelava, no olhar petrificado dos moradores, a violência inferida em suas almas. Sim, a desocupação não teve nada de pacífica. O som do trator, que deveria representar o desenvolvimento, para as pessoas da Vila nunca mais será o mesmo. A retroescavadeira não significou apenas a destruição material das suas casas, mas também a negação do reconhecimento de seu passado e a perda de um horizonte para o futuro.

Foto: Felipe Sales
Covarde, Rui Palmeira. Covarde! Essa era a melhor palavra para expressar o sentimento de quem visualizava todo aparato do estado. Mais de 110 famílias agora não sabiam para onde ir. Sim, porque a desocupação para os moradores sequer fora planejada. Ilegal!! Mas o que é ilegalidade para a justiça dos poderosos? É preciso aprender o caráter da (in)justiça das leis. E a nossa deve ser diferente, deve ser a lei da luta, da resistência, da organização.


Nós do PSTU estaremos, sempre incansáveis, junto da luta do povo pobre e trabalhador. Repudiaremos e lutaremos contra qualquer tentativa de retirada de nossos direitos. Essa é nossa essência, o porquê de nossa existência. Lutamos pela construção de um mundo novo, pela construção de um mundo Socialista. 


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