A MARCHA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS EM ALAGOAS: UM BLOCO CLASSISTA PARA AS LUTAS





por Francisco Alberto

As ruas do Centro de Maceió presenciaram algo de novo no dia 18. Cerca de duzentas pessoas, entre servidores federais em greve do INSS, da UFAL, do IFAL e do Judiciário, trabalhadores e estudantes, participaram deste evento local da Marcha Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras. O ato foi organizado por diversas entidades sindicais, movimentos populares e partidos, como PSTU, PCB e o Espaço Socialista, dentre outras organizações como a Resistência Popular. A passeata percorreu as ruas do Centro da cidade em protesto contra o Ajuste Fiscal imposto pelo Governo Dilma (PT) e contra as alternativas da velha direita, encabeçada por PSDB e PMDB. Esse foi só o começo.



A crise política do Governo Dilma (PT) e sua fraqueza vem sobretudo da ruptura de grande parte da classe trabalhadora com este governo, que nasceu da promessa de ser um “governo dos trabalhadores”. Mas o governo Dilma, pelo contrário, praticou um estelionato eleitoral com a política de ajuste fiscal, as MP 664 e 665, que retiram direitos trabalhistas historicamente conquistados e o corte das garantias do PIS e do acesso ao seguro-desemprego, dentre uma longa lista de ataque aos trabalhadores e povo pobre. Por outro lado, sabemos que o Congresso de Temer, Cunha e Aécio não possuem diferença quanto a política econômica aplicada pelo atual governo, pois tem concordância com as medidas de ajuste fiscal que jogam as consequências da crise econômica em cima dos trabalhadores. Assim como os governos estaduais e municipais. O que nenhum deles falam é que enquanto apertam o cinto nos trabalhadores os bancos continuam lucrando e a dívida pública só cresce, chegando a 452 bilhões.
Os trabalhadores não devem estar reféns da falsa polarização PT/PSDB, nem devem confiar nas alternativas do PMDB (Cunha, Temer). Ao contrário, precisam se mobilizar contra o PMDB no Congresso e no estado de Alagoas, lutando contra o atual governo Renan Filho (PMDB) que vem aplicando a política de ajuste fiscal no Estado, também com seus cortes, se recusando a dialogar com várias categorias que estiveram em luta, a exemplo da educação estadual. Além disso, o governo Renan, que é um dos aliados do governo federal, vem aumentando a repressão aos movimentos sociais no Estado, criminalizando aqueles que lutam.

Por isso foi tão importante a unidade da esquerda alagoana nas ruas do Centro de Maceió, pois conformou um terceiro campo político. Um campo classista para a mobilização dos trabalhadores a partir das lutas que se enfrentarão com qualquer uma das falsas alternativas burguesas mencionadas.
A FRENTE BRASIL POPULAR: UMA POLEMICA COM A UNIDADE POPULAR PELO SOCIALISMO – UP/PCR

No último dia 5 de setembro, em MG, foi formada a Frente Brasil Popular, contando com a participação do PT, PCdoB, das centrais sindicais CUT e CTB, além do MST, UNE e outras organizações. Essa frente chamou uma mobilização em todos os Estados para o último dia 03 de outubro em defesa da “democracia, da Petrobrás e combate o golpe”. 

O curioso é a participação do UP/PCR, em tal frente. Uma organização que esteve em lutas de oposição frontal a política econômica do governo Dilma, como a greve dos Servidores Públicos Federais, dentre outras mobilizações, no plano político vem integrando uma série de mobilizações, a exemplo do último dia 20, e agora o ato do dia 03, que objetivamente estão em defesa do governo Dilma. Entendemos que a UP/PCR se opõe aos ataques que o Governo tem feito aos trabalhadores, mas ao participar destes tipos de mobilizações acabam cumprindo o triste papel de fomentar ilusões na possibilidade inexistente de o governo Dilma virar à esquerda, ou defender a legalidade democrática de um suposto “golpe da direita” (uma das pautas dessa frente). Esse é o argumento que o próprio governo se utiliza para ir cada vez mais a direita e aprofundar o ajuste fiscal contra os trabalhadores. Estar nessa frente, objetivamente, é criar ilusões nesse governo.

Consideramos um equívoco da UP/PCR participar desta frente, pois o suposto golpe da direita na verdade é a continuidade dos ataques cada vez maiores aos trabalhadores por este governo federal, que juntamente com o senador Renan Calheiros (PMDB), responde com a Agenda Brasil, sacrificando ainda mais os direitos da nossa classe com a ampliação das terceirizações e a cobrança no SUS. Além disso, a tal Frente não se propôs a estar em oposição frontal ao atual governo estadual de Renan Filho (que tem em sua composição o PT e PC do B), elemento que consideramos importante para conformar um campo classista na esquerda. Qual o lugar da UP? Junto aqueles que insistem em fomentar ilusões no governo Dilma ou dos que não querem se prender as alternativas do Governo Federal e sua Agenda Brasil, tampouco na defesa do impeachment como solução para a crise? Dos que são base de sustentação de Dilma ou dos que estiveram nas lutas do serviço público federal enfrentando a intransigência deste governo? Dos que mantém os trabalhadores presos a falsa alternativa representada por PT e PSDB ou dos que vêm construindo uma alternativa dos trabalhadores nos marcos do que foi o dia 18 de setembro? 

CHAMADO PARA A CONSTRUÇÃO DA JORNADA DE LUTAS EM OUTUBRO

O PSTU apoia a iniciativa da CSP-Conlutas que reafirma o chamado a continuidade da luta por um campo de classe, e com uma política consequente contra o ajuste fiscal e seus efeitos em Alagoas e em todo Brasil. A reunião convocada para o próximo dia 08/10 deve contar com a participação de todos que comungam deste projeto de construção de uma frente de lutas, uma alternativa classista para os trabalhadores. 

Reafirmamos o chamado ao PCR/UP para que venham construir esse bloco classista e rompa com a Frente Brasil Popular, e mantemos o chamado à CUT e a CTB para que rompam com o governo Dilma e com o governo Renan Filho. É com a construção de uma greve geral que derrote os planos de ajuste fiscal desse governo Dilma e de demais alternativas que apliquem a política de retirada de direitos.

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