PARA ONDE VAI O PSOL EM ALAGOAS?


Recebemos no dia 12 de setembro a notícia oficial da saída de toda a direção estadual do PSOL de Alagoas, alegando fraudes e filiações de assessores políticos de Renan Calheiros no partido. Diante de tal fato é importante que toda a esquerda, os novos ativistas, os militantes e simpatizantes do PSOL tirem conclusões sobre os rumos desse partido.

A saída do diretório municipal de Maceió, do diretório estadual e de vários membros do partido só é a culminância de um curso errático que o partido em Alagoas e nacionalmente vem tendo desde o seu nascimento.

Nas eleições passadas, a então candidata ao Senado, Heloísa Helena, desrespeitou uma série de resoluções de seu partido e de nossa coligação para a eleição, chegando ao cúmulo de ter aceitado o apoio político do então candidato do PSDB ao governo de Alagoas, Júlio César, e até dividir palanque com o mesmo. Essa atitude lamentável fez com que rompêssemos com sua candidatura ao senado. Se não bastasse isso, ainda fez campanha para Marina Silva (PSB/REDE) no lugar da então candidata do PSOL, Luciana Genro. Hoje, Heloísa Helena, após manter uma relação de “filiação democrática” com o PSOL no último período, deixou definitivamente esse partido e anunciou sua filiação na REDE.

O recente caso das desfiliações (saídas) foi fruto do desacordo com o grupo do deputado Ivan Valente, que admitiu assinatura em sua tese, do V Congresso Nacional do PSOL, o nome de José Jurandyr de Lima Filho. Esse foi Superintendente das indústrias da família de Renan Calheiros e esteve envolvido na Operação 'Bezerros de Ouro' do Senador, processo que afastou Renan da presidência do Senado em 2007. Essa e outras filiações também contam com o apoio do então deputado estadual de Pernambuco, Edilson Silva. 

O PSOL EM ALAGOAS É UM CASO ISOLADO?

Infelizmente, a resposta é não. A forma de organização do PSOL e suas últimas posições políticas apontam para a negativa dessa pergunta. 

O PSOL, quando foi criado em 2005 no processo de rompimento de parte do PT por desacordo com a posição da reforma da previdência alavancada por esse partido, gerou esperanças em parte importante da vanguarda que surgia naquele momento. Era o então “partido necessário”. Seria o novo com um horizonte baseado na ética na política. Infelizmente, o novo carregou problemas do velho PT que a cada dia ficam mais evidentes. 

O PT, que surgiu sob o impulso das greves operárias dos fins dos anos setenta e se construiu ao longo da década de oitenta como uma expressão autêntica da luta dos trabalhadores, tornou-se o partido que hoje aplica o ajuste fiscal em favor dos banqueiros e megaempresários. O que aconteceu foi que o PT foi vítima de sua própria estratégia de fazer reformas a partir das eleições burguesas. Ao colocar o centro de sua atuação política nas eleições, foi cada vez mais perdendo suas origens e aliando-se com o empresariado. Em nome da “viabilidade” eleitoral e da “governabilidade”, foi perdendo sua independência de classe a cada nova eleição, a cada novo mandato. O PSOL não aprendeu essa experiência petista e se forjou repetindo os mesmos erros, com o agravante de nunca ter tido o perfil classista que o PT teve em seu início.

O PSOL se propõe ser um modelo de partido que unifica os revolucionários e reformista honestos, com espaço para tendência internas permanentes e sem critérios para sua adesão. Esse modelo se provou esgotado pela história petista, onde os reformistas sempre predominam sobre os revolucionários, e o domínio dos parlamentares suplanta a democracia partidária.

Essa forma de partido permite a filiação de todo esse novo grupo em Alagoas, inclusive de assessores de Renan Calheiros. Como permitiu que Guilherme Soares fosse eleito vereador de Maceió em 2012, para em seguida sair do partido para fundar o PROS. Também faz com que dentro do mesmo partido convivam militantes revolucionários e figuras como o Senador Randolfe Rodrigues (AP) que, em meio aos protestos de junho de 2013, reuniu-se com Dilma e apoiou sua proposta de Reforma Política como forma de tentar conter as manifestações. O prefeito de Macapá, Clécio Luís, que fez coligação com DEM, PTB e PSDB para se eleger e recentemente reprimiu a greve da educação. O Deputado Estadual de Pernambuco, Edilson Silva, que se elegeu em uma coligação com o PMN. Até Luciana Genro, ex candidata à presidência e considerada da esquerda do PSOL, seguiu essa lógica e recebeu dinheiro da Gerdau na sua candidatura à prefeitura de Porto Alegre e, na campanha para presidente, da empresa Safari, rompendo assim um critério muito importante aos socialistas que é a independência de classe.

Mesmo no cenário político que vivemos hoje de cortes de verbas e ajuste fiscal, o PSOL insiste em defender o governo Dilma em momentos cruciais. Desde as eleições, quando teve 4 dos seus 5 deputados federais eleitos chamando voto em Dilma em consonância com a orientação política do diretório nacional de “nenhum voto em Aécio” até chegar a assinar a convocação do ato do dia 20 de agosto em defesa do governo junto com o PT e outros setores governistas. Se isso não bastasse, ainda votou a favor da cláusula de barreira que visa impedir partidos ideológicos como o PSTU, PCB, PCO e também o PPL de aparecer na TV na eleição. 

É PRECISO TER CORAGEM PARA SEGUIR EM FRENTE

Achamos corajosa a atitude dos companheiros que saíram do PSOL em oposição aos problemas regionais e nacionais que vem acontecendo neste partido. Sair de uma organização na qual se dedica parte de sua vida e seus esforços não é uma decisão fácil, causa tristeza e dúvida. Por isso, têm nosso apoio. Mas é preciso dar um passo à frente, é necessário que não só os companheiros, mas todos ativistas de esquerda, militantes e simpatizantes do PSOL reflitam sobre os rumos desse partido e tirem suas conclusões. 

O PSTU se propõe a dar um passo à frente com todos aqueles militantes do PSOL e ativistas indignados com o sistema capitalista. Acreditamos não ter saída para a crise dentro do próprio sistema capitalista. Cremos que a luta revolucionária necessita de disposição, mas também da ferramenta correta. Essa ferramenta, que precisa tocar as mentes e corações da classe operária e de todos os trabalhadores, precisa ser rígida e disciplinada para lutar contra a burguesia e seus governos que se utilizam de todo seu poder – da grande mídia ao aparato repressor – contra nós. Precisa de democracia operária, onde a militância decide e se responsabiliza pelos rumos do partido, em vez de ser acaudilhada pelo peso político dos mandatos e das grandes figuras públicas. Ter independência política e financeira para nunca ser confundida com nossos algozes, isso implica em não receber nenhum centavo da burguesia, ao contrário do que faz o PT e como o próprio PSOL em repetidas ocasiões permitiu. Deve estar ligada aos anseios de nossa classe, fazer propaganda revolucionária e educar os trabalhadores no sentido da construção de uma sociedade socialista. É esse o sentido de nossa existência.

Queremos fazer um convite à reflexão sobre o significado dos problemas estruturais e políticos do PSOL, e que tipo de partido é necessário. O PSTU está aberto à discussão com os companheiros que romperam com o PSOL, mas também a todos que lutam e sonham com um mundo socialista. 






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