OS TRABALHADORES E A CRISE POLÍTICA

Manoel Moisés (Zé do Bode)


       A crise política que o país atravessa tem deixado as pessoas um tanto duvidosas acerca do que deve acontecer para melhorar as suas condições de vida. As traições dos governos petistas a classe trabalhadora foi determinante para deixar essa parte da sociedade sem norte, ou seja, sem saber para onde pender. Isso, em grande medida, fortalece o bloco explorador de nosso país. Muitos falam em mudanças. No entanto, em razão da falta de informações precisas, não sabem que mudanças são essas. Será que substituir os atores resolverá os problemas da grande maioria? Ou algo mais tem que mudar?
Trabalhadores do Comperj
       O Brasil, como já foi dito no passado, sempre foi governado por verdadeiras quadrilhas de delinquentes de colarinho branco, representantes do poder econômico. A corrupção, aspecto nefasto da política brasileira, remonta da chegada da família real ao Brasil, em 1808. De lá, para cá, sem exceção, todos os governos, inclusive os militares, se utilizaram desse expediente para enriquecer, ainda mais, a classe dominante, em detrimento da maioria da população. O PT (Partido dos Trabalhadores), quando na oposição, era um defensor nato da ética na política e afirmava, dentre outras coisas, ser possível governar de forma diferente. Na posição de governo, no entanto, jogou todos os seus princípios na lata do lixo, e, além disso, passou a governar para e com as elites econômicas nacionais e internacionais, atacando, como qualquer partido burguês, os direitos dos trabalhadores que, na verdade, sempre formou a sua base aliada.
      Lutar contra a corrupção, o desemprego, a miséria, a falta de políticas públicas, não é lutar só contra Dilma, mas, sim, contra todos. A maioria dos partidos políticos, apologistas do liberalismo econômico, só enxerga uma saída para a crise econômica: destruir os direitos conquistados com muita luta pelos trabalhadores ao longo de toda a sua história. Será, porém, que a saída é mesmo por aí? Vamos resolver o problema da pobreza com mais pobreza? Ou será que não precisamos de uma distribuição mais justa da riqueza que é produzida no Brasil? Afinal de contas, quem a produz são os trabalhadores e não a classe política, tampouco os seus financiadores.  Portanto, é fundamental a participação ativa da classe trabalhadora em todo esse contexto político. Pois, após o fechamento dessa crise política, independente de quem seja o governo, se PT, se PMDB, se PSDB e, até mesmo, a rede de sustentabilidade, de Marina Silva, ex-seringueira, vai seguir o mesmo receituários em curso no Brasil desde Collor de Mello.
     Hoje, sem sombra de dúvidas, os holofotes da burguesia mundial giram em torno da situação política brasileira. Eles, os capitalistas, querem, a todo custo, a estabilidade política no Brasil, no entanto com a volta dos seus tradicionais partidos ao poder. A grande massa de trabalhadoras e de trabalhadores, em razão dos bombardeios diários da grande mídia, que só mostra um lado da moeda, bem como preocupados com a questão econômica que, de certa maneira, ameaça a todos, também almejam o fim de tudo isso. Todavia, o que a imprensa burguesa não diz é que essa estabilidade política pode custar muito caro para toda classe trabalhadora, independente se pública ou privada. Dilma e o PT, caso se firmem no governo até 2018, possibilidade um tanto remota, defendem medidas duras contra quem trabalha: reforma da Previdência com idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, não respeitando a dupla jornada da grande maioria das trabalhadoras; demissão de servidores públicos de forma voluntária, isso irá provocar mais precarização no atendimento às camadas mais pobres do nosso povo; privatização da Petrobrás, da Eletrobrás, de vários bancos estatais, causando mais desemprego e desesperança, sobretudo a juventude. O receituário dos demais partidos, até o de Marina Silva, não é diferente, ou seja, todos têm o mesmo objetivo: atacar os direitos dos trabalhadores para, com isso, salvaguardar os lucros das grandes corporações econômicas.
Resultado de imagem para dilma renan lula collor     Os capitalistas, aos poucos, em nome da crise econômica mundial, situação por eles criada, estão tomando todas as conquistas que os trabalhadores conseguiram ao longo do tempo. Essa prática se intensifica logo após a queda dos Estados burocratizados estalinistas, conhecidos como socialismo real. Em nosso país as coisas não estão sendo diferentes. Desde a era de Fernando Collor de Mello, o caçador de marajás, que vence as eleições concomitantemente ao fim dessas burocracias, que os direitos de quem vive do trabalho vem sendo subtraídos. Os dois consecutivos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, seguidos dos de Lula e de Dilma, do PT, todos apoiados pelo oportunismo do PMDB, não foram, nem de longe, distintos, ou melhor, só mudaram os atores, a política econômica, portanto, foi a mesma. A partir disso, então, o que de fato deve ser mudado? Os atores? A política econômica? Os atores e a política econômica? A nosso ver, tudo deve ser mudado. Não resolve mudar os atores sem mudar a lógica econômica em curso. A condução econômica não muda se não trocarmos os atores. Logo, para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora, se faz necessário construir uma alternativa que aponte, e faça de verdade, uma política de ruptura com tudo que aí está. É preciso distribuir mais riqueza através de melhores salários, de mais empregos, fim do trabalho terceirizado, direitos iguais para todos e acesso a aposentadoria. Sem isso, o resto é pura balela.
  Portanto, sem muitas delongas, a participação dos trabalhadores tanto na luta como na discussão acerca do futuro político e econômico de nosso país é imprescindível. O desemprego assusta a todos, o fim de direitos históricos de quem trabalha joga milhões na proletarização, a dificuldade para garantir a aposentadoria significa uma ameaça ao futuro das novas gerações. A classe que vive do trabalho tem que entrar em cena. A burguesia quer ficar rica à custa da miséria de quem produz. Por isso, para não pagarmos pela crise que não provocamos, temos que organizar a resistência a tudo o que aí está. Organizar, como no passado, os comitês de desempregados, os da juventude, os dos operários, os dos servidores públicos, etc. Só a partir da organização e da luta política dos trabalhadores e das trabalhadoras é que podemos, de fato, construir uma sociedade livre para todos. Livre das amarras da sociedade de classes. Liberdade, segundo Marx, tem uma ligação muito profunda com a questão da necessidade. Portanto, não há homens e mulheres livres sem suas necessidades asseguradas. É desse artifício que os capitalistas se utilizam para controlar e, em seguida, explorar toda a classe trabalhadora.  



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