Quanta violência na cidade?

Geysson Santos
As pessoas se trancam em suas casas
Pois não há segurança nas vias públicas
E nem mesmo a polícia pode impedir
As vezes a polícia entra no jogo
Edson Gomes
Reprodução TV Gazeta

No último dia 25 de março, o Village Campestre, localizado na parte alta de Maceió, foi palco de uma verdadeira chacina, como falado pela família das vítimas. Três pessoas foram assassinadas e os principais suspeitos são da Polícia Militar. As vítimas são dois jovens com doença psiquiátrica, os irmãos Josivaldo e Josenildo Ferreira, e o pedreiro Reinaldo da Silva.
As famílias e os moradores do bairro afirmam que os jovens foram vítimas da violência da Polícia Militar. Ao serem parados em uma “abordagem padrão” foram alvejados pelos policiais, e Reinaldo da Silva, teria sido assassinado por presenciar toda ação policial.
A versão da polícia é que os adolescentes teriam reagido a uma abordagem dando início a uma troca de tiros, onde os dois teriam sido baleados e morrido. E que ambos portavam armas de fogo, além de drogas. Porém, está versão não deve nem ser levada a sério porque além de se tratar de jovens com doença psiquiátrica ainda é cheio de irregularidades na ação já que o exame residuográfico, que detecta vestígios de pólvora nas mãos, não foi realizado porque as vítimas foram encaminhadas ao Hospital Geral do Estado pelos próprios policiais, no dia da ocorrência. Assim, a perícia só poderia realizar o procedimento com a solicitação da Polícia Civil, o que não ocorreu.
Esta forma de atuação é uma velha conhecida: o auto de resistência, termo usado por policias que matam suspeitos alegando estarem se defendendo. Mas que na pratica acoberta e justificar os crimes praticados na periferia.

A solução da violência não pode ser mais polícia
De acordo com o Mapa da Violência de 2015, Alagoas lidera o ranking de homicídios em jovens de 16 e 17 anos. Enquanto as taxas de homicídio de brancos caíram de 14,5 para 11,8 as taxas dos negros subiram de 24,9 para 28,5. Ser jovem, negro e da periferia é ser um alvo!
Mesmo com toda ferocidade policial, de todos os crimes cometidos por eles e com a comprovação prática de que os resultados obtidos para diminuição da violência são ridículos, ainda sim a resposta para esses índices é a intensificação de policiamento.
Em Alagoas o governador Renan Filho (PMDB) resume seu governo a ação policial, seja quando tenta criar uma figura heroica em Alfredo Gaspar, ex-secretário de segurança, mesmo sendo o responsável por criminalizar manifestações populares, como as dos alunos do CEPA em 2015. Seja quando nomeia o Coronel Lima Junior como secretário de segurança conhecido, conhecido como “linha dura” da PM. Para resolver os problemas de Alagoas é apontado “super-homens” temidos por bandidos pobres e pretos, além de tratar as questões sociais como caso de polícia.

Investigar e punir os assassinos
Não podemos deixar esse caso cair no esquecimento. Por isso foi importante, que no dia 31 de março, a família e o Colégio em que os jovens estudavam organizou uma passeata que percorreu os bairros do Graciliano Ramos e do Village Campestre cobrando punição dos assassinos.
Sabemos que a justiça é ineficiente para resolver os casos de violência contra quem é preto e pobre, por isso precisamos ir às ruas e exigir que a investigação seja contínua e que essa chacina não seja apenas mais um dos vários “casos isolados” que logo são esquecidos pelo poder público. Assim como foi com Davi, desaparecido após uma abordagem policial.

Lutemos por todos os Josenildos, Josivaldos, Reinaldos e Davis!
A Polícia Militar, apesar de tudo posto, garantiu que a abordagem dos policiais aconteceu dentro da legalidade e que não ia afastar os policiais das ruas até que haja indícios de que eles praticaram algum tipo de arbitrariedade. E que não existe nenhum motivo nem para a abertura de um procedimento disciplinar. O absurdo do comunicado da PM é a prova que este modelo policial não garante a segurança dos trabalhadores.
E foi apenas a manifestação dos moradores do Graciliano Ramos e do Village Campestre e da denúncia incansável da família que o Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas decidiu afastar toda a guarnição da Polícia Militar. Ou seja, se o medo tivesse calado a família possivelmente teríamos mais um caso de auto de resistência.
A luta por Josenildo, Josivaldo, Reinaldo e Davi não pode parar na condenação dos polícias, o problema é maio. O genocídio da juventude negra é uma realidade. O Plano Brasil mais seguro, implantado pela presidenta Dilma Rousseff (PT) falhou! Os governos estão na contramão da realidade. A instituição militar não resolve o problema da violência, a desmilitarização é uma necessidade da periferia.
É preciso lutar por uma nova política de segurança pública, que deve começar pela batalha para punir os assassinos de Josivaldo e Josenildo Ferreira, do pedreiro Reinaldo da Silva e de Davi.

Prestamos nossa solidariedade a família Josenildo, Josivaldo e Reinaldos
PELO FIM DOS AUTO DE RESISTÊNCIA!

MAIS PM NÃO É A SOLUÇÃO, DESMILITARIZAÇÃO JÁ!

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