Sossego e lazer apenas para a população branca e rica da cidade: polícia apreende 150 pessoas na Rua Fechada

"Os jovens negros não possuem direito a emprego, educação e lazer, a única coisa que chega para eles é a violência do crime e também da polícia" 

Amanda Monteiro, militante do quilombo raça e classe e do PSTU

De acordo com matéria publicada no TNH1 e relatos de frequentadores da conhecida “rua fechada”, que fica na orla da Ponta Verde, no último domingo (28/08), 150 pessoas foram apreendidas para averiguação e levadas para a base da Operação Policial Litorânea Integrada (Oplit). Isso mesmo, 150 pessoas (45 adultos e 85 adolescentes) foram levadas dentro de um micro-ônibus e uma van para a base policial que “cuida” da orla de Maceió. A justificativa dada, de acordo com matéria, é a de que os apreendidos não portavam documentos de identificação no momento em que foram abordados e um dos adolescentes portava pedras de crack e 135,00 reais.
A operação que se apresenta com o “o intuito de inibir a ação de 'delinquentes' naquele trecho da orla e aumentar a sensação de segurança para a população”, possui um caráter preconceituoso e racista. O coronel da operação afirma que “o critério utilizado para as abordagens são pessoas que aparentam estar usando entorpecentes, que tenham tatuagens e que estejam vestindo camisa de torcidas organizadas”. Em diversas partes de Maceió é possível encontrar jovens e adultos fazendo uso de entorpecentes, sejam eles lícitos ou ilícitos. Nas ruas das escolas particulares, em bares/festas da elite e condomínios de luxo, o consumo de diversos tipos de drogas é evidente, porém passa longe deste tipo de repreensão. Ao usarem a justificativa de baderna, fica o questionamento de onde estava a polícia quando, no período recente, houveram as diversas denúncias de mulheres contra os assédios em bares e locais públicos da cidade, causando insegurança e transtorno. Todas as explicações apresentam um caráter extremamente preconceituoso, inclusive contra pessoas de torcidas e tatuadas. Um critério que não é apresentado, mas que fica visível no público apreendido, é o de cor e classe social. São em sua maioria jovens negros(as) da periferia. A atividade, na prática, visa impedir o direito ao lazer da população mais segregada e oprimida da cidade, possui caráter higienista, que justifica a segregação da cidade, a criminalização da pobreza e o racismo institucional.
Alagoas é o estado mais perigoso para a população negra em todo o País. A cada 13 vítimas de homicídio nos municípios alagoanos, 12 são negras. Dentre as capitais, Maceió aparece em segundo lugar. Tanto o governo de Renan Filho (PMDB), quanto a última prefeitura de Rui Palmeira (PSDB), refletem uma política de abandono e extermínio deste setor. Estamos no estado com maior taxa de desempregados do país e, além disso, encontramos um caos nos serviços públicos como educação e saúde. A única política pública que é voltada para a população negra é a da segurança que serve para criminalizar este grupo. O governo interino de Temer (PMDB) aprofunda ainda mais esta situação, pois aplica uma política de segurança que promove o extermínio da juventude negra, e segue privatizando ou cortando verbas dos serviços públicos e atacando nossos direitos. Tal governo faz o possível para salvar os bancos e grandes empresas perante a atual crise econômica, jogando os problemas nas costas dos trabalhadores. O governo Dilma (PT) também teve sua responsabilidade neste processo. Além de ter deixado mais de 11 milhões de desempregados pelo país, impulsionou políticas que contribuíram para o genocídio do povo negro como é o exemplo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e o Plano Brasil Mais Seguro, com apoio das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança Pública. Neste cenário, a violência e o genocídio da juventude negra vêm se dando em todos os estados do Brasil no último período.
A pobreza é fruto da miséria gerada pela existência de uma classe dominante e impiedosa que quer banir a classe pobre de suas cidades. Os grandes empresários, usineiros, banqueiros e latifundiários nosso país, que financiam a maioria dos partidos políticos, estão por trás desta política racista. Uma política que constrói cidades com o objetivo de garantir o bem estar e os direitos da elite, e quer impedir o direito ao lazer do povo negro e pobre. A violência e a criminalidade são consequências da exclusão social. Os mais atingidos são os que não possuem perspectiva de vida, desempregados, sem acesso à educação e submetidos à violência policial. Não adianta colocar um policial em cada rua da cidade e tentar usar violência e repressão, é urgente tratar este problema como questão social dando uma resposta através de políticas públicas para a situação. 
Exigimos o fim do genocídio da juventude negra e pobre, e a desmilitarização da polícia militar já! Por uma polícia unificada, eleita e controlada pelos trabalhadores. É preciso também unificar as lutas contra o desmonte e a privatização dos serviços públicos, assim como a precarização de direitos trabalhistas. Pelo fortalecimento das lutas contra estes ataques rumo a uma greve geral para botar pra FORA TEMER  e TODOS ELES, exigindo eleições gerais já, com novas regras.
Estudo aponta Alagoas como o estado mais violento para a população negra: http://gazetaweb.globo.com/portal/noticia.php?c=17028

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